Pregações circunstanciais

Coluna do Pe. Antonio Rivero, L.C., Doutor e professor de Teologia e Oratória no seminário Mater Ecclesiae de São Paulo

São Paulo, (Zenit.org) Pe. Antonio Rivero, L.C. | 1025 visitas

Antes de iniciar um novo tema na coluna sobre pregação sagrada, gostaria de agradecer aos meus leitores as sugestões sobre homilias que devem ser evitadas, e que agora eu resumo aqui:

Homilia soporífera: tão chato e com tom de funeral e monótono, que todos dormem. Sem expressão, sem entusiasmo, sem mudança de tom.

Homilia relâmpago: não dura um minuto. Deve durar cerca de 10 minutos, e no domingo, até 15 minutos. Em um minuto nada é dito.

Homilia chicote: onde o pregador acaba com os fiéis. Isso, nunca, porque o sacerdote é pastor e não fustigador. Perderá muitos paroquianos.

Homilia boba com gargalhada: conta piadas em abundância para ilustrar o que expressa, esquecendo-se de que as pessoas muitas vezes ficam com a piada e esquecem o cerne da mensagem.

Homilia de jornalista ou contador de histórias: "... eu estava outro dia no mercado ... pela praça ... pela escola ... na rua ... etc. ", e conta casos que ele viu e ouviu. Aqui fala não o padre, mas o jornalista... Quando não tem o que contar, conta histórias curtas e simpáticas. A homilia não é para isso.

Homilia enlatada: quando repete as homilias arquivadas há vinte anos. A homilia deve conter novidades e eventos atuais, do ponto de vista da Igreja e do mundo, se não, cheira a mofo.

Homilia política: Quando o padre fala de política e critica o político no cargo.

Homilia pílula de conforto: em funerais elogia tanto os mortos, que se esquece de abrir os olhos de todos os presentes para olhar para o rosto da eternidade e preparar as malas para a última viagem.

Homilia Teatro: o pregador faz teatro, salta e dança. Isso não é digno de uma ação litúrgica, nem é o lugar nem a hora. Isso não quer dizer que é inexpressivo ou monótono, como já foi explicado. "In medio virtus est" no equilíbrio está a virtude.

Agora sim, expliquemos outra questão.

Pregações circunstanciais

Com o nome de pregação circunstancial designamos todas as pregações, dentro ou fora da celebração eucarística, cuja razão de ser não é domingo ou dia de festa, mas outras circunstâncias, que podem variar amplamente, desde a inauguração do ano letivo até as bodas de ouro de uma associação civil ou religiosa, passando pela bênção de animais ou carros.

Dentro desta categoria, existem três casos que merecem atenção especial devido à frequência, pelo seu significado litúrgico e as implicações no trabalho pastoral. Trata-se da pregação no batismo, no casamento e no funeral. Há outras que também explicaremos: festas, apresentações e “brindes”.

Demos hoje algumas dicas gerais sobre os ouvintes, a situação e as conclusões. Nos outros dias vamos falar sobre cada um em particular.

Primeiro, os ouvintes …
O público que se reúne em um batismo, casamento ou funeral é diverso: fiéis da comunidade paroquial, católicos não praticantes, indiferentes e até mesmo ateus ou pertencentes a outras confissões religiosas, sem excluir aqueles que vêm por curiosidade.

São mais celebrações familiares que reúne a comunidade cristã do que celebrações da comunidade onde a família está presente. Estão presente por laços familiares ou sociais, não por motivos religiosos. Algum suportam a cerimônia religiosa porque ficaria feio ir apenas para a festa.

Isso não justifica o pregador estar lá com disposição interior apática. Tem que dar o melhor de si nesta pregação, apresentando uma mensagem espiritual simples e positiva, cheia de fervor e entusiasmo. É uma oportunidade única para que alguns deles mudem a sua visão negativa da Igreja e dos sacerdotes e, talvez, a chance de um deles começarem a se interessar pela fé. O pregador sagrado chegará ao fundo do seu coração, pelo poder da sua fé simples e por falar a mesma língua que eles. Tente conectar-se com eles. Sugerimos que a pregação seja simples, positiva e respeite as diferentes crenças. O pregador deve aproveitar esta ocasião em que os ouvintes estão abertos emocionalmente para falar sobre os mistérios humanos: nascimento, amor e morte.

Em segundo lugar, a situação ....

Situações concretas- batismo, casamento, funeral, são uma excelente oportunidade para iluminar com a Palavra de Deus. Portanto, devemos começar a partir de um texto bíblico que vai ao coração da situação humana. Se não fizermos isso, há o risco de "jogar o tipo teológico" nestes momentos, com linguagem eclesiástica que alguns ouvintes odeiam. É uma ocasião para a instrui-los na doutrina cristã com grande respeito: por que nascemos, de onde vem a nostalgia do amor e da comunidade, por que acabamos na terra? Devemos mostrar como a Igreja celebra o amor gratuito de Deus em Cristo em todas estas situações (batismo, casamento, enterro), Deus não se desinteressa pelo homem, a quem criou com tanto amor.

Finalmente, algumas conclusões ...

Primeira, o pregador não pode ignorar o estado de ânimo dos ouvintes.
Segunda, o pregador deve preparar sua pregação de modo que ajude os ouvintes a ir além de onde eles estão, para vivê-la mais profundamente. Isso oferece o consolo objetivo com o calor de um envolvimento verdadeiramente humano.

E, por último, sempre pregar com palavras humanas, com tom autêntico e vocabulário compreensível a todos, e com tato, sensibilidade e respeito pela intimidade dos vários participantes; com calor humano, um grande coração e uma dose de sabedoria adquirida com as experiências de vida.

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Caso você queira se comunicar diretamente com o Pe. Antonio Rivero escreva para arivero@legionaries.org  e envie as suas dúvidas e comentários.