Preparação imediata para o Matrimônio: "Aproveitar todas as ocasiões para aprofundar o sentido daquilo que se realiza no sacramento"

Esta preparação para o sacramento do Matrimônio deveria ser o remate de uma catequese que ajude os noivos cristãos a percorrer de novo, conscientemente, o seu itinerário sacramental. (PSM53)

São Paulo, (Zenit.org) André Parreira | 729 visitas

Em nosso itinerário pela preparação do Matrimônio, seguimos pincelando comentários sobre diversos temas, sempre citados no documento Preparação para o Sacramento do Matrimônio publicado em 1996 pelo Conselho Pontifício para a Família. Partimos da necessidade de um planejamento estratégico para a vida, passamos por tópicos da Preparação Remota e exploramos os pontos que considero como “chaves” da Preparação Próxima. 

Contudo, a sabedoria da Igreja nos propõe que haja um momento adicional de formação ofertado na proximidade do casamento, chamado de Preparação Imediata. Além de ser uma revisão da etapa anterior de modo intensivo, é também oportunidade para que se promova para os noivos momentos de oração “em que o encontro com o Senhor possa fazer descobrir a profundidade e a beleza da vida sobrenatural” (PSM-50). Além disso, é tempo de realizar a preparação litúrgica de modo adequado e promover os “colóquios” com o pároco, ou seja, as conversas de conhecimento e preparação.

Não pense muito para responder: temos visto a Preparação Imediata acontecer em nossas paróquias?

O que vejo acontecer em várias paróquias é a Preparação Próxima sendo realizada de modo resumido e às vésperas do casamento, não sobrando espaço para a Preparação Imediata. Contudo, a separação em três momentos ocorre de forma pedagógica, pois um é continuidade do outro enquanto constituem os cursos de preparação para o Matrimônio.

Se os noivos tiverem oportunidade de serem preparados desde crianças em suas famílias e em suas vidas paroquiais, quando pensarem em casamento, buscarão conhecimento e discernimento em um momento de preparação prolongado e aprofundado. E, com a proximidade da celebração, encontrarão a Preparação Imediata, um momento como "o remate de uma catequese que ajude os noivos cristãos a percorrer de novo, conscientemente, o seu itinerário sacramental." (PSM53)

O PSM ainda nos alerta para que somente sejam dispensados deste momento os casais com "causas proporcionalmente graves"(PSM51) onde haja urgência para o Matrimônio. Mas, ainda assim, pede-se que o pároco e a equipe de preparação procurem proporcionar a estes casais "algumas ocasiões para recuperar o conhecimento conveniente dos aspectos doutrinais, morais e sacramentais que foram expostos como próprios da preparação próxima e, por fim, inseri-los-ão na fase de preparação imediata". (PSM51)

Note como a Igreja considera que um casal que se aproxima do altar já deva ter passado pela preparação próxima. Mas temos visto justamente o contrário, temos visto a oferta desta etapa no momento em que os noivos procuram a secretaria paroquial para marcarem o casamento ou solicitarem alguma documentação. Muitos, talvez a maioria daqueles que buscam se casar na Igreja, se assustam ao saberem da exigência de se realizar o encontro/curso de noivos.

A preparação imediata como é sugerida pela Igreja, só poderia acontecer se os encontros/cursos de noivos já tivessem ocorridos com a antecedência mínima de seis meses ao casamento e de forma aprofundada, tal qual já comentamos em artigos anteriores, dando destaque à preparação feita em vários encontros. Assim, alguns meses após sua conclusão e com maior proximidade do casamento, o casal poderia ter mais um momento formativo "para iniciar os noivos no rito matrimonial. Nesta preparação, além de se aprofundar a doutrina cristã sobre o Matrimônio e a família, com particular referência aos deveres morais, os nubentes devem ser ajudados a tomar parte consciente e ativa na celebração nupcial, entendendo também o significado dos gestos e dos textos litúrgicos."(PSM52).

Se já não era fácil organizar um momento, o que diremos de dois? Como administrar a Preparação Próxima e a Imediata?

O caminho é o planejamento e a promoção de tais momentos. A preparação próxima poderia ser divulgada nas paróquias assim como se divulgam encontros e retiros,  mostrando que todos aqueles que namoram e já pensam em casamento, mesmo sem data marcada, podem participar de um momento de reflexão oferecido pela paróquia. Para isso temos os avisos nas missas, entrega de folhetos, utilização dos programas de rádio e divulgação dentro dos vários movimentos e pastorais. Uma vez que estamos seguros que o "futuro da humanidade passa pela família"(João Paulo II), não podemos poupar esforços para bem prepará-la. Devemos motivar os noivos a buscarem espontaneamente a formação. Sabemos que os "operários são poucos" e nem sempre há colaboradores disponíveis para a oferta dos momentos de preparação em várias datas.  Nas paróquias onde a Pastoral Familiar existe de forma estruturada, tais momentos conseguem ambiente mais favorável para se estabelecerem. Se não há tal pastoral, deve-se recorrer ao apoio de outras pastorais, pois todos estão relacionados com a urgência de se apoiar as famílias. Contudo, nunca se pode esquecer da responsabilidade dos agentes que trabalham com noivos, que devem estar em constante formação e serem fiéis ao Magistério da Igreja, como já temos comentado em vários outros momentos e em especial na Edição do Zenit de 04 de Outubro de 2013 (A segurança do conteúdo deve ser o centro e o objetivo essencial dos cursos).

Pensando em nossa paróquia: Quantas vezes você escutou, no último ano, um aviso na missa sobre um encontro, retiro ou reunião para namorados e noivos? E quantas vezes recebeu alguma propaganda sobre a preparação para o Matrimônio?

Se oferecermos  os encontros/cursos de noivos como este momento privilegiado de reflexão, a preparação imediata será realmente uma revisão e pode até ser um reencontro dos casais que já fizeram a preparação próxima. Nela, haverá tempo para tratar de aspectos litúrgicos e canônicos da celebração, também bastante esquecido ou atropelados por alguns noivos. Em nossos próximos artigos, vamos comentar alguns destes aspectos que tem feito da celebração do casamento uma grande indústria que esvazia de sentido o momento religioso.