Preparação próxima - A segurança do conteúdo deve ser o centro e o objetivo essencial dos cursos

Tal preparação destinada aos formadores torná-los-á idôneos para expor, com adesão clara ao Magistério da Igreja, com metodologia idônea e com sensibilidade pastoral, as linhas fundamentais da preparação para o Matrimônio. (PSM44)

São Paulo, (Zenit.org) André Parreira | 638 visitas

Percorrendo nosso itinerário de comentários sobre a preparação para o Matrimônio, deparamos com a grande responsabilidade depositada pela Igreja naqueles que colaboram nesta pastoral, sejam leigos ou presbíteros. No último artigo de nossa coluna sobre Preparação para o Matrimônio (Edição do Zenit de 20 de Setembro), comentávamos sobre a estrutura proposta pela Igreja para que a preparação próxima - cursos/encontros de noivos - seja um momento capaz de formar solidamente a consciência moral dos noivos para a livre e definitiva escolha do Matrimônio. Além da estrutura, o conteúdo da preparação é também delineado pelo documento romano Preparação para o Sacramento do Matrimônio (PSM). Vários outros documentos publicados pelas conferências episcopais como, no caso do Brasil, o Guia de Preparação para o Matrimônio da CNBB, também indicam o caminho a ser explorado com os noivos.Todos estes documentos nos mostram que a Igreja conhece profundamente os desafios de nosso tempo e não é alienada à realidade da vida de seus fiéis e às correntezas que eles enfrentam. De modo bastante claro, ela cita em seus documentos os desafios de nosso tempo, como a adolescência prolongada e o adiamento do Matrimônio, a liberdade sexual, a mentalidade contraceptiva, as leis que facilitam divórcios e permitem abortos etc. Não são nada fracas as correntezas que devemos vencer!

Para vencê-las, os noivos e todos aqueles que os acompanham precisam ser fortes e "nadar" com harmonia. É exatamente isso que a Igreja espera dos agentes, a quem chama de "encarregados" no documento PSM e diz que "para esta múltipla e harmônica preparação, é preciso encontrar e formar adequadamente encarregados." (PSM42)

Os agentes precisam testemunhar que os Matrimônios são fortes somente quando sustentados pela vida de oração e frequência aos sacramentos. Os noivos precisam ser conquistados pela beleza de lutar para constituírem uma família a exemplo da Sagrada Família, de aceitar o desafio de buscar aquilo que já não tem valor para o mundo pagão: a santidade. É por isso que “o itinerário de preparação dos noivos deverá, portanto, incluir uma recuperação dos dinamismos sacramentais com um papel particular dos sacramentos da Reconciliação e da Eucaristia”. (PSM41)

Observe que a Igreja  não fala apenas em encontrar os encarregados, ou seja, os agentes que colaborem na preparação para o Matrimônio. Além de encontrar pessoas de boa vontade, a recomendação não para por aí, mas vai além. Recomenda-se formar adequadamente os encarregados, o que nos chama a atenção para o fato de que o trabalho pastoral com os noivos não será plenamente realizado sem formação dos agentes. Formação, para "criar um grupo, a diversos níveis, de agentes que saibam ser enviados pela Igreja, constituído especialmente por casais de esposos cristãos," (PSM42)

É certo que ao entrarmos no campo da formação e aprofundamento, encontramos questionamentos como: Mas pra que tanta coisa? Nosso grupo é tão bom! Partilhamos nossa experiência com os casais e eles adoram o encontro!

É verdade, pode sim ser muito bom. Mas a questão a ser respondida é se nossos encontros/cursos de noivos estão atuando da forma como propõe a Igreja, o que os tornariam ainda melhores. Diversos são os movimentos e grupos que fazem belíssimos trabalhos com casais e famílias, mas a preparação dos noivos é etapa de preparação para um sacramento, portanto, um trabalho pastoral. Note que encontramos a expressão "saibam ser enviados pela Igreja" que aumenta a responsabilidade dos agentes.

Se você colabora na preparação dos noivos, se sente enviado pela Igreja?

A responsabilidade é grande e todos aqueles que sentem o chamado para colaborar neste trabalho pastoral precisam se abrir para a necessária formação.

Para que não fique sombra de dúvida sobre a importância da formação para que os agentes tenham profundidade e segurança de conteúdo, bem como a clara noção de serviço, com fidelidade ao Magistério da Igreja, transcrevo o que o Santo Padre João Paulo II disse no discurso de conclusão da Assembleia Plenária do Conselho Pontifício para a Família, em 1991, sobre a preparação para o Matrimônio: “É indispensável que à preparação doutrinal sejam dados o tempo e os cuidados necessários. A segurança do conteúdo deve ser o centro e o objetivo essencial dos cursos, numa perspectiva que torne mais consciente a celebração do Matrimônio e tudo o que dele brota em relação à responsabilidade da família.”(PSM48)

Convencidos do caminho a seguir, resta-nos comentar os principais temas a serem trabalhados com os noivos durante a preparação próxima, o que faremos nos próximos artigos.

Paz e bem!

André Parreira (alparreira@gmail.com), da diocese de São João del-Rei-MG, é autor de livros sobre a preparação para o matrimônio e responsável no Brasil pelo DVD "Sim, Aceito!", lançado em parceria com a Pastoral Familiar da CNBB. Empresário, casado e pai de 6 filhos, colabora na formação de jovens e casais.