Presa novamente Mao Hengfeng, ativista contra “lei do filho único”

Apelo urgente da Anistia Internacional

| 1195 visitas

ROMA, sexta-feira, 4 de março de 2011(ZENIT.org) - Na China, foi detida na quinta-feira, 24 de fevereiro, a destacada prisioneira de consciência Mao Hengfeng, dedicada desde 1998 à luta contra a controversa e rígida "lei do filho único", aprovada no final dos anos 70 por Deng Xiaoping, para frear o crescimento demográfico do colosso asiático.

Mao Hengfeng, de 50 anos, que mora com o marido Wu Xuewuei, em Xangai, havia sido posta em liberdade antecipadamente, apenas dois dias antes, na terça-feira, 22 de fevereiro, por motivos de saúde. A mulher estava cumprindo, na província centro-oriental de Anhui, uma pena de 18 meses de "reeducação através do trabalho". Havia sido considerada culpada de "perturbar a ordem pública", por participar, em 25 de dezembro de 2009, em Pequim, de uma manifestação em favor de outro defensor dos direitos humanos, Liu Xiaobo, honrado no ano passado com o Prêmio Nobel da Paz.

O motivo desta nova prisão - ocorrida na presença de pelo menos trinta policiais - foi o fato de que, durante seu breve período em liberdade, Hengfeng teria realizado "atividades ilegais" - algo que, de acordo com seu marido, é uma acusação absurda. "Durante 24 horas, o tempo todo, desde que ela voltou, a polícia nos controlava da porta de casa. Ela não pôde nem mesmo ir ao médico. Que chances teria de infringir a lei? - disse Wu, que não escondia sua preocupação. Não sabemos onde ela está agora" (Reuters, 24 de fevereiro).

Enquanto isso, continua o crescimento da população chinesa. "A população da China está crescendo agora unicamente porque as pessoas estão vivendo mais, não porque tenham muitos filhos", disse Cai Yong, demógrafo da Universidade da Carolina do Norte (EUA), especialista na China (Shanghai Daily, 1º de março). Juntamente com um preocupante desequilíbrio dos sexos - resultado do aborto seletivo e da tradicional preferência por filhos do sexo masculino -, o envelhecimento da população é atualmente um dos maiores quebra-cabeças para os demógrafos e políticos chineses.

Durante uma conferência em Kuming, capital da província meridional de Yunnan, o ministro dos Assuntos Civis, Li Liguo, disse, na sexta-feira passada, que a população acima de sessenta anos da China, em 2015 chegará a 216 milhões de pessoas, com um aumento anual de mais de 8 milhões (Xinhua, 25 de fevereiro). Ainda em 2015, o número de pessoas acima de 80 anos será, na China, de 24 milhões, continuou o ministro, que também é vice-diretor da Comissão Nacional sobre o Envelhecimento. Para evitar o "crash" do sistema de aposentadorias, o ministério chinês de Recursos Humanos e Segurança Social anunciou, no domingo, o início de uma revisão "exaustiva" da idade da aposentadoria para as mulheres (Xinhua, 27 de fevereiro).

Por esse motivo, especialistas chineses não excluem um relaxamento parcial na normativa sobre o "filho único". Falando na última segunda-feira com o jornal China Daily, um dos expoentes da Comissão Nacional de População e Planejamento Familiar (NPFPC), professor Yuan Xin, mostrou-se favorável a uma "atualização" da lei. O demógrafo da Universidade Nankai, em Tianjin (ou Tientsin, no Mar da China Oriental), sugeriu autorizar os cônjuges que moram na cidade e são ambos filhos únicos a ter um segundo filho.

(Paul de Maeyer)