Presidente da Bolívia anuncia que o papa o receberá em audiência

Evo Morales pediu ser recebido depois de ouvir Francisco na JMJ do Rio. Relações com a Igreja local têm sido difíceis

Roma, (Zenit.org) Sergio Mora | 517 visitas

O presidente boliviano Evo Morales anunciou que no dia 6 de setembro será recebido em audiência no Vaticano pelo papa Francisco e que “aproveitará para compartilhar as suas mensagens e aprender sobre a Teologia da Libertação”, além de convidá-lo a visitar a Bolívia. As informações são da agência oficial boliviana de notícias ABI, em nota publicada neste 14 de agosto.

A Conferência Episcopal da Bolívia confirmou a notícia, mas ressaltou que se trata de uma visita de estado “habitual”, como as que o papa já recebeu de diversos presidentes.

Morales, eleito em 2005 e reeleito em 2009 com 65% dos votos, tem mantido difíceis relações com a Igreja na Bolívia. Ele acusou a Igreja de apoiar a oposição política e de ser a responsável pelos furtos denunciados em seus próprios templos. O governo de Morales, além disso, promoveu em junho passado a criação de uma Igreja Católica Apostólica Renovada do Estado Plurinacional, e, em viagem a Roma em maio de 2010, entregou ao papa Bento XVI, depois da audiência, uma carta fora de protocolo em que lhe aconselhava abolir o celibato e estender o sacerdócio às mulheres.

O anúncio da audiência foi feito pelo próprio Morales. “Quero antecipar a vocês que o chanceler David Choquehuanca me informou que o papa aceitou nos dar uma audiência no dia 6 de setembro. Vamos nos preparar para ir com uma boa delegação”, afirmou o presidente nesta quarta-feira, depois de chegar ao palco oficial da apresentação folclórica em homenagem à Virgem de Urkupiña, em Quillacollo, Cochabamba, conforme as informações da agência ABI.

O desejo de encontrar o papa, de acordo com o presidente boliviano, nasceu após escutar algumas reflexões que lhe chamaram a atenção durante a sua participação na Jornada Mundial da Juventude no Rio de Janeiro. A agência boliviana acrescenta que Morales “manifestou uma grata impressão com a mensagem de que não se é revolucionário se não se é cristão nos tempos de hoje”.

Em 15 de agosto, o presidente “participou de maneira ativa, com orações e cânticos, na cerimônia eucarística em honra da Virgem de Urkupiña, que advogou pela promoção dos valores humanos e cristãos no país”, diz a agência. “Por sua vez, o bispo auxiliar de Cochabamba, dom Luis Sáenz, na homilia da solene cerimônia às portas do templo de San Ildefonso, declarou: 'Trabalhemos para que os valores como a verdade sejam mais importantes do que a mentira; que o valor do perdão seja uma resposta e nunca uma vingança'”, prossegue a ABI, comunicando que, no final da procissão, Evo Morales “apertou a mão do bispo auxiliar e agradeceu pelas reflexões”.