Presidente da Cáritas pede cessar-fogo em Gaza
Há «um colapso dos serviços médicos», segundo a entidade assistencial
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Por Nieves San Martín
CIDADE DO VATICANO, quinta-feira, 7 de janeiro de 2008 (ZENIT.org).- O presidente da Cáritas Internacional, cardeal Óscar Rodríguez Maradiaga, pede um cessar-fogo em Gaza que permita às agências humanitárias socorrer as vítimas dos ataques israelenses sobre a população palestina.
Segundo a organização de ajuda da Igreja, os deslocamentos na Faixa de Gaza são perigosos e os médicos não conseguem chegar às clínicas e centros onde os esperam os civis feridos pelos bombardeiros.
A Cáritas Internacional, confederação de 162 entidades humanitárias católicas, oferece assistência médica de emergência, mediante a Cáritas Jerusalém, na paróquia de Gaza. Apesar das dificuldades, ficam abertos alguns centros de saúde, enquanto a clínica móvel teve de suspender sua atividade.
«A Cáritas e as contrapartes da Igreja Católica na Terra Santa pedem um imediato cessar-fogo para permitir que os enfermos e feridos sejam assistidos – afirmou o cardeal Maradiaga. Pessoas inocentes estão sofrendo devido a que as agências de ajuda não podem chegar até elas por causa da ação militar israelense.»
A Cáritas pede o cessar imediato tanto dos ataques do Hamas contra o sul do território israelense como dos bombardeios de Israel sobre Gaza, para permitir a chegada de ajuda.
«Nossa equipe em Gaza testemunha um colapso dos serviços médicos – sublinhou a secretária geral da Cáritas Jerusalém, Claudette Habesch. As pessoas estão morrendo em casa porque não podem obter assistência. Nos hospitais de Gaza, há 2.053 camas, mas são 2.500 os feridos por bombardeios israelenses. Os médicos dizem que não têm faixas nem antissépticos.»
Uma firme condenação desta guerra e o pedido de um cessar-fogo foram feitos pelo Conselho Mundial das Igrejas (CMI) e pelo seu secretário geral, Samuel Kobia.
«Nos países envolvidos neste conflito, as Igrejas e os membros das Igrejas pedem aos governos que comecem uma ação urgente para assegurar um futuro melhor aos palestinos, aos israelenses e aos seus vizinhos», afirma uma mensagem do CMI retomada pelo jornal vaticano L'Osservatore Romano.
«A lógica fechada dos funcionários públicos, que culpam os demais, negando a responsabilidade de seu governo, levou à perda de muitas vidas»; «os governos devem agora ser responsáveis pela paz», acrescenta.
«A morte e o sofrimento destes dias são espantosos e vergonhosos e não obterão mais que novas mortes e novos sofrimentos», denuncia o CMI.
E pede que os governos da região, as Nações Unidas, a Liga Árabe, a União Européia e os Estados Unidos usem «seus bons ofícios para conseguir que todos aqueles que estão em risco sejam protegidos desde ambos os lados da fronteira» e se assegure o acesso das ajudas de emergência e dos médicos».
Desta forma, a associação Ajuda à Igreja que Sofre (AIS) prometeu enviar ajudas para paliar a dramática situação de Gaza, onde, segundo as estimativas, o desemprego afeta 40% dos habitantes e 30% deles não têm acesso à água potável. Cerca da metade dos habitantes são crianças.
O pároco Manuel Musallam, da igreja da Sagrada Família de Gaza, denuncia que «homens, mulheres e crianças choram. Procuram desesperadamente buscar como alimentar-se e garantir sua própria proteção», «lutando por sobreviver». «As pessoas têm medo, mas não querem render-se».
Na Faixa de Gaza, de um total de um milhão e meio de habitantes, 5 mil são cristãos, em sua maioria gregos ortodoxos, e 300 são católicos de rito latino.
Dado que era perigoso demais para os fiéis circular pela região, a paróquia cancelou a missa de final de ano à meia noite e a do ano novo, substituindo-as por celebrações em uma capela escolar.
«Não consigo ver muitos de meus fiéis, mas lhes envio regularmente mensagens de texto pelo telefone celular (sms) para oferecer uma palavra espiritual que os anime e ajude a orar – revelou o Pe. Musallam. Decidimos recitar ao início de cada hora a oração: ‘Deus da paz, dai paz ao nosso país; Deus de misericórdia, dai misericórdia ao nosso país’».
Contudo, por causa dos bombardeios, agora as companhias de celular não funcionam e possivelmente estas mensagens já não chegam aos paroquianos.


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