Presidente da Guatemala: "O papa está com espírito sereno"

Encontro com o papa: abordadas a violência, o tráfico de drogas e a imigração

Roma, (Zenit.org) Sergio Mora | 1026 visitas

Bento XVI recebeu no último dia 16, no Palácio Apostólico Vaticano, o presidente da Guatemala, Otto Fernando Pérez Molina. A conversa, durante a qual o papa falou em italiano, durou cerca de 25 minutos.

Em entrevista a ZENIT, o presidente guatemalteco se disse impressionado com a paz de espírito do papa, confirmando que a renúncia foi um ato de grande responsabilidade.

ZENIT: Qual foi a sua impressão sobre o papa?

Otto Pérez Molina: Eu tive a impressão de que o papa tomou uma decisão firme e consciente. Eu o vi alegre e sorridente. Sobre as questões de que falamos, o papa foi muito claro e apresentou colocações de grande profundidade e tranquilidade. Ele estava com o espírito sereno, eu achei.

ZENIT: Ele disse algo sobre a renúncia?

Otto Pérez Molina: Ele disse palavras muito sábias. Eu vi um Santo Padre consciente do fato de que foi uma decisão difícil, mas, como ele disse, era uma responsabilidade que ele tinha que assumir. Eu disse a ele que, no começo, a notícia me desconcertou, mas agora apoiamos a decisão. E pedi para ele continuar rezando pela paz no mundo e em particular pela Guatemala.

ZENIT: O senhor já conhecia o papa Bento XVI?

Otto Pérez Molina: Eu nunca tinha tido a oportunidade antes, mas me senti como se já o conhecesse. Achei o papa muito cordial e sorridente. Ele começou a falar logo que me recebeu. O papa me fez ficar à vontade.

ZENIT: Que temas foram tratados?

Otto Pérez Molina: Nós conversamos sobre a emigração, a defesa da vida, a luta contra a fome e, em particular, a violência relacionada com o tráfico de drogas. O papa está bem consciente da situação na Guatemala, do que está acontecendo e dos problemas que afligem o nosso país.

ZENIT: Problemas de segurança interna ou externa?

Otto Pérez Molina: É um problema de segurança interna. Não temos nenhum problema nas fronteiras. Toda a América Central está caminhando para a união.

ZENIT: O futuro papa foi convidado para visitar a Guatemala?

Otto Pérez Molina: Sim, eu disse que um dos objetivos do encontro era o convite para o papa ir à Guatemala. Bento XVI sorriu e me disse que o próximo papa é quem vai ter que definir.

ZENIT: O que o papa disse sobre a imigração?

Otto Pérez Molina: Ele disse que a condição dos emigrantes sempre foi uma preocupação da Igreja. A metade dos bispos dos Estados Unidos é latina e a Igreja acompanha e protege os direitos dos migrantes, não só na assistência jurídica, mas também com atividades nas igrejas, inclusive com aulas de inglês. Os imigrantes latino-americanos e guatemaltecos são acompanhados e apoiados pela Igreja nos Estados Unidos. É um desejo do papa e faz parte da linha de ação da Igreja Católica.

ZENIT: Por que a imigração é um problema?

Otto Pérez Molina: Eu expliquei que espero uma emigração menor por parte dos cidadãos do meu país, porque esse fenômeno desintegra as famílias. E o papa está absolutamente certo quando afirma que é preciso prevenir e evitar de todos os modos a desagregação do núcleo da família. Apoiar a família é a única maneira de fazer a nossa economia crescer e criar oportunidades de trabalho.