Presidente do Parlamento Europeu: valores cristãos podem fundamentar identidade européia

Hans-Gert Pottering sublinha os direitos humanos e o diálogo com as culturas

| 1048 visitas

RIMINI, terça-feira, 21 de agosto de 2007 (ZENIT.org).- Hans-Gert Pottering, presidente do Parlamento Europeu, interveio no domingo no Meeting de Rimini, convocado pelo movimento Comunhão e Libertação, explicando quais são as prioridades para a União Européia e precisando que os valores de referência não são relativos.



Ao longo da coletiva de imprensa que precedeu a mesa-redonda da tarde, o presidente do Parlamento Europeu, que reconheceu ter-se empregado a fundo para que se incluíssem as raízes cristãs no Tratado Constitucional da União Européia, precisou as que, desde o seu ponto de vista, são as prioridades para a consolidação da Europa.

Em sua opinião, uma «União Européia que não seja só para a elite, mas para os cidadãos comuns», deve ter como valores de referência «os direitos do homem, o valor da pessoa, também dos idosos», e ter como prioridade o diálogo com as culturas. «Não queremos em absoluto fomentar um choque de civilizações, mas criar ‘partnership’», afirmou.

À pergunta de por que as raízes cristãs foram excluídas do Tratado Constitucional, Pottering expressou: «Pessoalmente, eu me empenhei sempre pela referência a Deus e às raízes judaico-cristãs. Lamentavelmente, não o conseguimos: a maioria do Parlamento Europeu não era favorável a esta referência e se produziu a resistência, em particular, da França e da Bélgica».

«Mas os valores afirmados da pessoa humana, de que toda pessoa é única, também os idosos e as crianças, são valores fundamentais cristãos. E sobre este campo nosso compromisso deve continuar dia a dia», prosseguiu.

Durante a mesa redonda sobre o tema «Que identidade para a Europa?», John Waters, colunista do «Irish Times», suscitou a dúvida de que os valores comuns europeus pelo respeito do politicamente correto possam chegar a ser tão genéricos que já não signifiquem nada para ninguém.

A respeito disso, Pottering esclareceu sua concepção de valores comuns não como indistintos e genéricos: «Quando falamos de direitos dos idosos, das crianças, de ‘não à clonagem’, de tolerância, não fazemos afirmações vagas».

Quanto à liberdade religiosa e à relação com o Islã, o presidente do Parlamento Europeu afirmou: «Se um egípcio pode declarar a própria pertença religiosa ao Islã no passaporte, isso deve ser válido para todas as demais religiões, o cristianismo incluído».

«Para o mundo árabe devemos ser abertos e dialogadores, mas também pedir reciprocidade de atitudes», acrescentou.

Em relação a uma possível entrada da Turquia na UE, Pottering disse na coletiva de imprensa que «a maioria se declarou favorável, com a condição de que se respeitem todas as condições previstas. A adesão, que não é um automatismo, será decidida no final da negociação».

Com relação à situação na China, o presidente do Parlamento Europeu sublinhou que «é necessário aproveitar a oportunidade das Olimpíadas para fazer valer os direitos do homem» no país asiático.