Prioridade do domingo, ênfase da Igreja na América Latina, diz presidente do CELAM

Dom Raymundo Damasceno comenta linhas pastorais que se desprendem de Aparecida

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APARECIDA, segunda-feira, 16 de julho de 2007 (ZENIT.org).- Uma das características da grande missão que se quer desenvolver na América Latina a partir da Conferência de Aparecida é despertar nos fiéis a consciência da importância fundamental que o domingo tem para os cristãos e, nesse sentido, a centralidade da Eucaristia.



Foi o que explicou a Zenit esta segunda-feira Dom Raymundo Damasceno Assis, arcebispo de Aparecida (Brasil) e presidente do CELAM (Conselho Episcopal Latino-Americano), durante coletiva de imprensa no Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida.

Apesar de ainda não ter formatado o projeto da grande missão que a Igreja Católica desenvolverá nos próximos anos no continente --uma das propostas da Conferência de Aparecida--, o documento final da grande reunião eclesial celebrada em maio traz diretrizes que já permitem visualizar algumas prioridades pastorais dos bispos.

Uma delas, elogiada por Bento XVI na carta que dirigiu ao CELAM autorizando a publicação do Documento de Aparecida, dia 10 de julho, é justamente a prioridade da Eucaristia e a santificação do Dia do Senhor nos programas pastorais.

«A Eucaristia como fonte da missão, na medida em que nós estamos unidos a Cristo pela Eucaristia, e assim temos mais força para testemunhá-lo perante o mundo de hoje», afirmou Dom Damasceno.

O presidente do CELAM comentou ainda sobre a importância fundamental do domingo, «um dia especial para o cristão». «É o dia que substituiu o sábado judaico. O domingo é o primeiro dia da semana, o termo significa Dia do Senhor. E para nós, Dia do Senhor é o dia do Ressuscitado, é o dia da ressurreição de Cristo», destacou.

Segundo o arcebispo, a partir da ressurreição, os cristãos sempre se reuniram aos domingos. «Sempre se reuniram para celebrar o memorial da morte e da ressurreição de Cristo e também para celebrar a Palavra de Deus.»

«É o dia em que os cristãos continuam se reunindo para se alimentar da Palavra, para se alimentar do Corpo de Cristo e, ao mesmo tempo, se encontrar como família de Deus, dar testemunho público e social da sua fé», disse.

De acordo com Dom Damasceno, essa característica dos cristãos era tão forte nos inícios da Igreja que eles eram conhecidos pelos pagãos como «aqueles que se reúnem».

«Os cristãos são aqueles que se reúnem. Os pagãos não se reuniam. Os templos pagãos não são lugares de reunião. É o lugar da morada da divindade, mas não é o lugar para o povo se reunir.»

«O templo como lugar de reunião é próprio dos cristãos --explica. Por isso a palavra Igreja, que quer dizer assembléia, do grego ekklesía, significando reunião, comunidade.»

Segundo o presidente do CELAM, «Deus quer congregar, quer reunir as pessoas». E Ele as reúne «em torno do altar onde nós celebramos o mistério da morte e ressurreição de Cristo, e celebramos também a Palavra de Deus».

Para além da importância de se congregar, o arcebispo destacou a atitude conseguinte dos cristãos, ou seja, o fato de se dispersarem entre o mundo para dar seu testemunho.

«Há esse duplo movimento. Esta sístole e esta diástole, como do coração. O cristão se reúne sempre e se dispersa sempre, para poder levar o fermento, a luz, o sal à sociedade.»

«Nesse sentido é de importância fundamental o domingo --enfatiza. Nós não podemos viver nossa fé isoladamente. O cristão tem de se reunir, tem de se congregar, porque pelo batismo ele é feito membro de uma comunidade, de uma Igreja, de uma família.»