Programa Mundial de Alimentos junto à Igreja contra fome

Josette Sheeran exorta ao compromisso com os mais necessitados

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Por Carmen Elena Villa

CIDADE DO VATICANO, terça-feira, 3 de fevereiro de 2009 (ZENIT.org).- O problema da fome no mundo não consiste na falta de disponibilidade de alimentos; «o problema tem a ver com a distribuição, mas também com a cobiça, a discriminação, as guerras e outras tragédias», explicou nesta terça-feira, em uma coletiva de imprensa na Santa Sé, Josette Sheeran, diretora executiva do Programa Mundial de Alimentos (PAM). 

A responsável deste organismo das Nações Unidas apresentou aos jornalistas a mensagem de Bento XVI para a Quaresma de 2009, convidando a harmonizar jejum e caridade como instrumentos para lutar contra a fome. 

Por um lado, assegurou que as palavras de Bento XVI para esta quaresma «nos ajudam também a recordar que a fome está crescendo em todos os lugares». 

Assegurou que com 3 bilhões de dólares ao ano seria possível eliminar a fome das crianças que estão em idade escolar. Segundo explicou, 115 milhões de pessoas em todo o mundo carecem das necessidades básicas de comida e quase um bilhão de pessoas não tem suficientes alimentos, o que representa 1/6 da população mundial. Também indicou que a cada 6 segundos uma criança morre de fome no mundo. 

Reiterou que «no mundo há comida suficiente para que cada ser humano tenha um acesso adequado a uma dieta nutritiva». 

«É um objetivo alcançável. Podemos eliminar a fome entre as crianças que vão à escola se houvesse pessoas dispostas a ajudar», assegurou. 

Sheeran assinalou que, neste tempo de tantos desafios econômicos no âmbito mundial, «não devemos esquecer que a crise alimentar e financeira toca de modo particularmente duro os mais vulneráveis do planeta», diz. 

Referiu-se também à crise econômica, dizendo que «se para muitas famílias isso comporta alguns sacrifícios, para os mais pobres dos pobres, isso significa não poder comer em um dia, em dois ou em três». 

A funcionária da ONU apresentou alguns programas de alimentação escolar que demonstram como com um pouco de solidariedade se pode fazer uma grande diferença. 

Em primeiro lugar, ela se referiu a um programa de alimentação no Afeganistão, onde os índices de escolaridade aumentaram graças ao programa alimentar que o PAM adotou. 

«Sabemos que as famílias são mais propensas a enviar os próprios filhos à escola se nela recebem uma refeição durante o dia», esclareceu. 

Citou também o exemplo de Gaza, onde o PAM lançou um chamado pedindo ajuda ao setor privado para encontrar alimentos altamente nutritivos para as crianças, graças a uma cooperação com a Fazenda alimentar do Egito e Holanda. 

O PAM colabora com instituições caritativas e ONGs em todo o mundo. «As instituições católicas são companheiras-chave para o PAM – assinalou. Trabalhamos também com o Catholic Relief Services – A Cáritas dos Estados Unidos – colaborando em 15 países», disse. 

Josette Sheeran destacou o compromisso e a compaixão de Bento XVI por quem passa fome no mundo. «O Papa pediu aos governos que prestassem atenção aos pobres», disse. E fez alusão à intervenção de Sua Santidade sobre a atual crise econômica em seus discursos e homilias. 

Disse também que a assistência humanitária não é possível sem a intervenção do bom samaritano, que ajuda as pessoas em necessidade. «Seja com generosas doações dos governos nacionais ou de coletas feitas em igrejas, mesquitas e escolas, as doações às agências de socorro como o PAM e as Cáritas são essenciais para continuar socorrendo os famintos no mundo», disse. 

Também aproveitou para dar a conhecer a campanha Fill the Cup, que consiste em oferecer um almoço nutritivo a crianças em idade escolar com o custo de 1 euro por semana. «A tradição do jejum voluntário durante a Quaresma, combinado com a caridade, pode de verdade mudar a vida de uma criança», disse. 

«Cada um de nós tem duas opções: passar sem deter-se ao lado de quem tem necessidade ou atuar para ajudá-lo. Nesta Quaresma, escolhamos um mundo livre da fome», concluiu.