Projeto estimula pesquisa com células do cordão umbilical

«Novussanguis», lançado pela Fundação Jérôme Lejeune e a Universidade de Newcastle

| 934 visitas

ROMA, terça-feira, 27 de maio de 2008 (ZENIT.org).- A partir da criação do consórcio Novussanguis, pela Fundação Jérôme Lejeune e a Universidade de Newcastle, Genethique, voltam as promessas de pesquisa neste campo.

As células-tronco do sangue do cordão umbilical possuem um potencial médico considerável. São utilizadas de maneira crescente em substituição de enxertos de medula óssea no tratamento de certas enfermidades do sangue ou em algumas afecções do sistema imunológico. Servem também para tratar das doenças da medula óssea ou do sistema nervoso central. Por último, permitem corrigir as irregularidades do metabolismo.

Estas células são facilmente acessíveis e são particularmente maleáveis em matéria de compatibilidade imunológica.

O consórcio Novussanguis, criado pela Fundação Jérôme Lejeune e a Universidade de Newcastle, tem por vocação financiar a pesquisa com estas células. Seu objetivo é ajudar os laboratórios membros a comunicarem-se entre eles e com o exterior. Catorze laboratórios, principalmente europeus, são atualmente membros do mesmo. Novussanguis financiará 8 projetos de pesquisa com um orçamento de 3 milhões de euros.

Novussanguis propõe também harmonizar os métodos e os protocolos no âmbito europeu e internacional para integrar a medicina regenerativa na prática médica. O consórcio já prevê concluir acordos com industriais.

Infelizmente, a quantidade de células-tronco de sangue do cordão umbilical é hoje limitada. Apesar dos 130 milhões de nascimentos registrados a cada ano no mundo, mais de 99% das amostras de sangue são destruídas, especialmente porque não existem redes para recolhê-las.

Um dos maiores problemas é o financiamento da conservação em bancos.

Existem dois tipos de bancos: os bancos públicos e os bancos privados. Nos bancos públicos, os pais doam o cordão de seu filho. As células-tronco obtidas deste sangue do cordão são conservadas de maneira anônima e servirão para tratar qualquer paciente compatível no âmbito imunológico, no contexto de um enxerto chamado heterólogo. Nos bancos privados, o armazenamento é financiado pela família para seu próprio uso no contexto de um enxerto chamado autólogo.

Existem hoje no mundo 134 bancos privados e 54 públicos. No entanto, 24% das amostras são utilizadas para enxertos intra-familiares e 76% para enxertos alogênicos. Financiar os bancos públicos por parte de estabelecimentos privados parece ser a solução.

Na Inglaterra, o banco de sangue Virgin Health Bank divide cada amostra em duas partes: 20% para uso privado e 80% para uso público. A conservação da amostra se financia pelo depositário. Mas o banco tem dificuldades para encontrar clientes devido aos bancos 100% privados.

Outra possibilidade seria criar um banco privado que caracterizaria suas amostras e as tornaria públicas, de maneira que as amostras possam ser requeridas em caso de necessidade contra o reembolso dos pais. A Espanha acaba de adotar um modelo desse tipo.

Na França, de 335 enxertos de sangue de cordão umbilical realizados em 2007, só 119 puderam sê-lo graças a amostras francesas.