Protesto cristão no Sudão ante selvagens assassinatos e crucifixões

Bispo Hiiboro do Sudão pede ajuda internacional

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YAMBIO, segunda-feira, 21 de setembro de 2009 (ZENIT.org).- Cerca de vinte mil cristãos caminharam descalços cerca de três quilômetros no sul do Sudão, em um protesto silencioso pela incapacidade ou falta de vontade do Governo para proteger a região dos conflitos tribais que produziram derramamento de sangue. 

A oração-protesto de três dias foi convocada por Dom Edward Hiiboro Kussala, bispo de Tombura-Yambio, que informou de que o evento reuniu mais do dobro do número esperado. 

O bispo falou da manifestação à Ajuda à Igreja que Sofre (AIS), uma organização internacional de caridade dedicada aos cristãos perseguidos e oprimidos. Sudão é a prioridade da organização na África. 

Os cristãos marcharam em protesto por uma série de atentados mortais e atrozes em agosto. 

Um grupo do Exército de Resistência do Senhor irrompeu na igreja de Nossa Senhora da Paz e profanou o edifício antes de sequestrar 17 pessoas, a maioria deles adolescentes e jovens. 

Pouco depois, um dos sequestrados foi encontrado morto, atado a uma árvore e mutilado. 

Dos 17 desaparecidos, três voltaram ao dia seguinte; não se sabe o paradeiro do resto. 

Uma semana depois deste atentado, seis pessoas foram objeto de uma cilada em um bosque e cravadas com pedaços de madeira à terra. Quem descobriu os corpos vários dias mais tarde os comparou a uma grotesca cena de crucifixão. 

Enquanto isso, chegaram informações de que outras doze pessoas foram sequestradas em outra aldeia próxima. 

O bispo Hiiboro explica por que está pedindo ajuda internacional: “O Governo não se preocupa com o problema. Continuavam prometendo que tinham o assunto sob controle mas agora vemos a realidade”. 

“O que aconteceu em agosto constituiu um enorme choque para nós. Foi difícil assumir o fato de que estávamos expostos a semelhante risco”, acrescentou. 

“Depois disso, as pessoas continuavam vindo a mim com muito sofrimento nos olhos, rogando-me que fizesse algo sobre sua situação, conseguisse que seus filhos e netos desaparecidos retornassem”, afirmou. 

O bispo explicou que os três dias de oração e peregrinação se centraram em “enfrentar a situação do que aconteceu [no estado de] Equatoria ocidental e renovar nossa vida espiritual. Desejamos fazer um protesto silencioso para dizer ao Governo que as coisas não estão indo bem”.