Quando falamos de cultura, falamos de Deus e as distâncias diminuem

Entrevista com o diretor do Coral Sinodal de Moscou, que cantou em Roma junto com o Coral da Capela Pontifícia Sistina

Roma, (Zenit.org) Sergio Mora | 350 visitas

O Coral Sinodal de Moscou cantou neste domingo, 3 de novembro, na basílica de Santa Maria Maior juntamente com o coral da Capela Pontifícia Sistina. O programa cultural deixou Moscou e Roma mais próximos e contou com uma mensagem do papa, recordando que a Igreja tem dois pulmões: o do oriente e o do ocidente. Citando Dostoievski, Francisco recordou também que “a beleza salvará o mundo”.

A iniciativa fez parte da XII edição do Festival de Música e Arte Sacra, que acontece em Roma até o dia 10 deste mês.

ZENIT conversou com o diretor do coral sinodal de Moscou, Aleksei Puzakov.

Como nasceu esta viagem?

Aleksei Puzakov: Na Igreja russa existe um departamento voltado a contatos exteriores. Esse departamento colabora com a comissão cultural do papa. No verão passado, eles nos convidaram a participar deste festival de música sacra e a proposta era interessante, porque iriam cantar juntos o Coral Sinodal de Moscou e o Coro da Capela Sistina. São representantes um da cultura musical ocidental e o outro da cultura musical oriental. Esta proposta era muito interessante. Por um lado, exigia uma certa responsabilidade, mas, por outro, era uma grande honra para nós. Intercambiamos diversas comunicações com o maestro Massimo Palombela e construímos juntos o programa deste concerto.

Como é composto o coral?

Aleksei Puzakov: Todos vieram de Moscou. Todos os integrantes do coro cantam na Igreja ortodoxa. Hoje são quarenta e oito.

Como você vê as relações entre a Igreja de Moscou e a Igreja de Roma hoje?

Aleksei Puzakov: Nós estamos percorrendo juntos um caminho de compreensão recíproca e de melhora cultural do mundo. Hoje, é muito importante o testemunho da cultura cristã. Está sendo construído um programa substancioso de colaboração entre a Igreja católica e a Igreja ortodoxa. Um programa cultural. Naturalmente, quando falamos de cultura, falamos claramente de Deus, mas também de outros aspectos. Sentimos que não existem grandes diferenças.

Com o papa Francisco, a relação mudou em algo?

Aleksei Puzakov: A minha percepção é que as relações, pouco a pouco, estão aumentando e melhorando.

Vocês estiveram com o papa depois do ângelus, na porta da residência de Santa Marta e cantaram na presença dele. O que foi que ele disse?

Aleksei Puzakov: Eles nos cumprimentou e nos pediu para rezarmos juntos. Para rezarmos por ele e pelos cristãos. Também pediu para saudarmos o patriarca de Moscou, desejou o amor cristão para todos nós e nos cumprimentou, um por um.

Foi uma surpresa?

Aleksei Puzakov: Foi uma verdadeira surpresa! Nós interpretamos isso como um milagre e como uma grande alegria. Superou as nossas expectativas. Quando dissemos ao papa que encontrá-lo assim era um milagre, ele respondeu que o milagre somos nós aqui.