Quando Mario Bergoglio deu uma conferência sobre o Papado

A Gazeta de Asti descobriu traços do pai do Papa Francisco, militante da ação católica que dava conferências sobre temas que pareciam premonitores

Roma, (Zenit.org) Antonio Gaspari | 340 visitas

Do arquivo do semanário diocesano Gazeta de Asti surgiram fragmentos de vida curiosos e interessantes que dão luz à história do Papa Francisco.

Em um artigo publicado em 17 de janeiro, intitulado o pai de Bergoglio jovem palestrante do tema: “o papado”, Stefano Masino narrou que do arquivo histórico do semanário diocesano de Asti emergem traços significativos da avó do Pontífice, Rosa Margherita, indicada por ele mesmo como “mestre de fé”.

Mas, ainda mais interessante, o pai Mario, um jovem militante da Ação Católica, no âmbito da ‘escola dos palestrantes’ da Associação foi encarregado de dar uma palestra sobre “papado”.

Embora se supõe que tantos tenham abordado este tema, é claro que hoje aquela conferência aparece realmente como um “preanúncio”.

O autor do artigo diz que "por ordem do diretor Vittorio Croce, foi preparado um especial sobre a amada avó do Santo Padre, Rosa Margherita Vassallo Bergoglio. Para ela, mulher de igreja (foi diretora do Departamento de Asti nos Anos Vinte) e “mestra de fé”, encontramos nas páginas do “Gazeta” da época várias confirmações sobre a sua obra de “sábia e experiente mãe”.

Em antigas folhas do semanário diocesano, fundado em 1899, se guardava uma notíca ainda mais surpreendente: Mario Bergoglio, filho de Rosa e futuro pai do Pontífice, também ele seguia os passos da mãe, inscrito na Federação juvenil diocesana.

Era o 1925, quando por iniciativa da presidência federal da organização, assistente dom Filipe Berzano, foi constituída a “Escola dos Conferencistas”, que deveria funcionar até o Natal. Foram atribuídos vários temas : a Gualtiero Marello "Como se faz um círculo juvenil”; a Francesco Ghia “História da Ação Católica”; a Giulio Burattini “o caráter do jovem”; a Attilio Pio “Oração, Ação, Sacrifício”; a Giovanni Torchi “A boa imprensa”; a Giovanni Musso “A Juventude Católica”. E a Mario Bergoglio tocou tratar o tema "O Papado".

Escreveu a Gazeta de Asti no dia 12 de dezembro de 1925: “Mario Bergoglio, estudante em contabilidade, desenvolveu com calor e forte palavra, com frequentes e oportunas referências históricas, o tema: ‘O Papado’. Fortemente ouvido e aplaudido pelos seus companheiros, dá certa confiança de se transformar em um fervoroso propagandista dos nossos ideais".

Mario Bergoglio estava inscrito na União Giovani de São Martinho de Asti. Três anos depois (cfr. Gazeta de Asti do 14 de Julho de 1928), durante a tradicional “Festa do Papa” celebrada pelos jovens católicos do Círculo, pronunciou “um belíssimo discurso ilustrativo sobre o papado, elevando por último um hino de admiração e de louvor ao Pontífice Pio XI, o Papa da Ação Católica.

O pai do futuro pontífice tinha então 17 anos (nasceu em Turim no 2 de Abril de 1908) e ainda não tinha se formado .

Em 1928 (cfr. Gazeta de Asti do 28 de abril de 1928) relata que Mario Bergoglio estava ao lado do bispo da época, Mons. Louis Spandre, em uma "Corrida catequística” realizada no teatro da "Fulgor".

Domingo, 7 de outubro de 1928 recitou entre os filodramáticos no teatro paroquial de São Martinho de Asti para a retomada das atividades educativas dos jovens da Conferência de São Vicente de ' Paolo, que prestavam assistência aos pobres a domicílio e aos enfermos do hospital civil.

Em janeiro de 1929 Mario Bergoglio, partiu para a Argentina, e aí começou uma outra história.

Sobre o relacionamento com seu pai, no livro "Papa Francisco. O novo Papa fala sobre si mesmo – Conversa com Francesca Ambrogetti e Sergio Rubin” publicado por São Paulo, papa Francisco narra que quando decidiu se tornar padre: “Primeiramente o disse ao meu pai e ele reagiu bem. E mais, me disse que estava feliz por isso. Tinha certeza de que o meu pai me teria entendido. Sua mãe tinha sido uma pessoa muito religiosa e ele tinha herdado dela aquela religiosidade e aquela força, unidas à grande dor do abandono da própria terra”.

Uma história esclarecedora que nos faz refletir sobre os desígnios de Deus. A partir do sofrimento da emigração, a fé humilde e intensa produziu tais frutos que fez eleger o primeiro Pontífice filho de imigrantes ítalo-argentinos.

Isto significa o quanto a emigração pode ser missionária.

(Tradução Thácio Siqueira)