Quando o leitor deve inclinar-se?

Responde o pe. Edward McNamara, LC, professor de teologia e diretor espiritual

Roma, (Zenit.org) Pe. Edward McNamara, L.C. | 1699 visitas

“Surgiu uma dúvida em nossa comunidade: quando o leitor se dirige ao ambão para proclamar a Palavra, deve fazer uma inclinação diante do ambão, do altar ou do tabernáculo?” – M.V.L., Itália

O pe. McNamara formulou a seguinte resposta:

Reina em torno desta pergunta recorrente uma certa confusão.

O nº 59 do Ordenamento Geral do Missal Romano afirma: “A proclamação das leituras, segundo a tradição, não é competência específica daquele que preside, mas de outros ministros. As leituras, portanto, devem ser proclamadas por um leitor; o Evangelho pelo diácono ou, em sua ausência, por outro sacerdote. Se não estiver presente nem diácono nem outro sacerdote, o mesmo sacerdote celebrante deve ler o Evangelho; e se faltar um leitor idôneo, o sacerdote celebrante deve proclamar também as outras leituras”.

Nem todos os gestos litúrgicos pedem um fundamento teológico. Em alguns casos, trata-se de gestos consuetudinários de cortesia e de respeito, que dão mais decoro à celebração.

O atual bispo auxiliar de Melbourne, na Austrália, dom Peter Elliott, descreve a inclinação do leitor em seu manual Ceremonies of the Modern Roman Rite do seguinte modo: “O leitor, ao chegar ao presbitério, faz as costumeiras reverências; primeiro, inclinando-se profundamente ao altar (...) e depois ao celebrante, antes de se dirigir ao ambão”.

Dois gestos de inclinação são descritos. O primeiro, voltado ao altar, se baseia no Cerimonial dos Bispos, cujo nº 72 diz: “Todos aqueles que sobem ao presbitério ou dele se afastam, ou passam em frente ao altar, saúdam o altar com uma inclinação profunda”.

O segundo gesto, voltado ao celebrante, não é prescrito explicitamente nos livros litúrgicos, mas pode ser considerado um gesto consuetudinário que tem origem nos sinais de reverência e de respeito para com o bispo mencionado no Cerimonial em seus números 76 e 77:

“76. Saúdam o bispo com uma inclinação profunda os ministros, aqueles que se aproximam para realizar um serviço ou se afastam ao seu término, e aqueles que passam em frente a ele”.

“77. Quando a cátedra do bispo se encontra atrás do altar, os ministros devem saudar o altar ou o bispo, conforme se aproximarem do altar ou do bispo; evitem, porém, na medida do possível, passar entre o bispo e o altar, por causa da reverência que se deve a ambos”.

É interessante observar que nenhum desses textos menciona explicitamente os leitores, e que o gesto é relevante somente quando se entra ou se sai do presbitério, ou, em sentido muito amplo, quando se auxilia o celebrante. Não parece que essas inclinações façam parte de modo permanente e obrigatório das usanças de quem exercita o ministério de leitor.

Ao descrever a Liturgia da Palavra, em seu nº 137, o Cerimonial dos Bispos não menciona eventuais inclinações: “Ao terminar a oração coleta, o leitor se dirige ao ambão e, quando todos estão sentados, proclama a primeira leitura”.

Portanto, se os assentos estiverem ordenados de tal modo que os leitores estejam no presbitério desde o início da missa, sem precisarem passar em frente ao altar, eles podem exercer o seu ministério sem fazer qualquer inclinação.

Por fim, os livros não fazem menção a inclinações diante do ambão, e, durante a missa, via de regra, não se fazem inclinações ao tabernáculo.