Quanto mais distanciados de Deus, mais necessitados de paz e confiança
Dom Vegliò intervém no encontro para a pastoral de circos e feiras
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CIDADE DO VATICANO, sexta-feira, 11 de dezembro de 2009 (ZENIT.org).- O afastamento de Deus leva o homem a fechar-se em si mesmo, em uma situação na qual é ainda mais necessária uma injeção de serenidade e confiança.
Assim afirmou Dom Antonio Maria Vegliò, presidente do Conselho Pontifício para a Pastoral dos Migrantes e Itinerantes.
Foi uma saudação de boas-vindas no encontro de diretores nacionais da pastoral para os circenses e feirantes, realizada no Vaticano entre os dias 11 e 12 de dezembro.
O prelado recordou que o espetáculo itinerante “desde sempre esteve presente na vida das pessoas e as acompanhou, irrompendo em sua vida cotidiana, às vezes cinza e banal, com um conjunto de atuações bonitas, entre luzes brilhantes, vivos decorados e músicas emocionantes”.
Por isso, pode-se dizer que a vocação dos que se dedicam a esta atividade “sempre foi a de levar serenidade e paz, esperança e confiança, de que a pessoa, sobretudo hoje, tem mais necessidade quanto mais se distancia de Deus e das fontes da graça, fechando-se em um materialismo cego e egocêntrico”.
“Na medida em que a pessoa se afasta do amor de Jesus Cristo, distancia-se também do seu próximo e deixa de entender o que ela é, qual é sua verdadeira dignidade, sua vocação e seu destino final”, acrescentou Dom Vegliò.
“Somente no mistério da encarnação a pessoa volta a encontrar completamente sua dignidade, o cumprimento da sua realização, a medida da sua ‘educação’.”
Neste contexto, é fundamental a evangelização dos que trabalham no espetáculo itinerante, “entendida em seu sentido mais amplo como anúncio da palavra de Deus, comunicação da vida divina através dos sacramentos e do testemunho do serviço aos irmãos”.
Igualmente, “é necessário que, da escuta da Palavra, do encontro vivo com Cristo Eucaristia e da participação nos sacramentos, surja no coração o desejo de um compromisso missionário e de dar testemunho”.
Um mundo de valores
Dom Vegliò recordou depois que, no ambiente circense, “há alguns valores considerados como característicos seus e que determinam sua existência”.
“Acolhida, hospitalidade, escuta, solidariedade, alegria e paz fazem dos circos e das feiras lugares extraordinários de reunião e de comunhão, nos quais diversas gerações e famílias encontram diversão e lazer e podem instaurar relações que enriquecem e constroem”, explicou.
Estes valores “se apoiam e defendem também para permitir aos circenses e feirantes que desenvolvam uma ação educativa, que é peculiar por sua arte, diante da sociedade, no diálogo com as jovens gerações e com as crianças”.
O circo e a feira, de fato, “favorecem sua socialização, ajudam a desenvolver a criatividade e a fantasia e se apresentam como ocasiões particulares para familiarizar-se com outras pessoas e com os animais”.
Apesar dos “convites, petições e artigos que criticam esta forma de entretenimento, considerando-a como superada e pouco divertida” e lançam “propostas para um novo ‘circo sem animais’, o circo e a feira continuam sendo lugares importantes da cidade, por seu caráter social, cultural e pedagógico”.
“Do centro às periferias urbanas mais desfavorecidas, nos territórios rurais e nas grandes metrópoles, o espetáculo itinerante desenvolve com sua atividade uma função importante na vida cultural, contribuindo para sua vitalidade e animação.”
Para que seja possível “alcançar esta segurança que lhe permita proteger e defender seus interesses em um mundo em contínua transformação”, os circos e feiras devem, no entanto, “tentar acompanhar certa evolução”.
Ainda que deem sempre a impressão de ser lugares mágicos e encantadores, por outro lado também sofrem muitos problemas e, atrás das aparências, “esconde-se um universo feito de trabalho e sacrifícios, de tensões e riscos”, um panorama” agravado pela atual crise que afeta também este setor”.
Neste contexto, o prelado desejou que “os valores fundamentais da família, que são a amizade, o amor, a paz, a liberdade e a alegria – sem dúvida a força dos circenses e feirantes – possam apoiar as gerações de hoje na construção do seu futuro, dando vida a uma sociedade verdadeiramente solidária e fraterna, na qual todos os diversos âmbitos, instituições e a economia estejam impregnados de espírito evangélico”.


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