Que a santidade de Ginetta Calliari seja reconhecida, o quanto antes, para o bem da Igreja

Cerimônia de conclusão da fase diocesana do processo de beatificação que, do Brasil, segue agora para Roma.

São Paulo, (Zenit.org) | 1149 visitas

No dia internacional da mulher, 8 de março, celebrou-se a conclusão da fase diocesana do processo de beatificação de Ginetta Calliari. Agora o processo segue para o Vaticano. 

Uma missa seguida de cerimônia foi presidida pelo bispo da Diocese de Osasco, Dom Ercílio Turco, às 20h, na Catedral de São Antônio, sexta-feira passada.

“Que a santidade de Ginetta Calliari seja reconhecida,  o quanto antes, para o bem da Igreja”. Esta foi a oração feita a Deus pelo cardeal D. Odilo Schrerer, arcebispo de São Paulo na mensagem lida no dia 8 de março, na solene cerimônia.

“Através do testemunho de Ginetta  anunciamos ao mundo que Jesus é o caminho, não somente para a nossa salvação pessoal, mas também para a construção de uma sociedade fraterna onde podemos viver a comunhão, a unidade, a justiça, a verdade e a santidade”.

Assim, D. Ercilio Turco, bispo de Osasco, São Paulo, na Catedral Santo Antonio, encerrou a solenidade de conclusão da fase diocesana do processo de beatificação de Ginetta Calliari, uma das primeiras companheiras de Chiara Lubich, chamada por ela mesma de cofundadora do Movimento dos Focolares no Brasil , onde viveu por mais de 40 anos. Afirmou ainda: “Esta cerimônia, inserida na celebração do ano da Fé, é um precioso ponto de referência e uma graça para toda a Igreja” e convidou todos a pedir a Deus “se é a Sua vontade, que a sua vida seja apresentada como modelo de santidade para a Igreja”.

O bispo recordou “o seu amor autentico, forte, inflexível, exclusivo por Jesus Crucificado e Abandonado que gerava comunhão e unidade”. “A essência do Evangelho é o amor” –ainda acrescentou.  “E Ginetta viveu o amor a Jesus e aos irmãos que a fez abraçar com entusiasmo o projeto de Chiara, que hoje já é uma realidade: a economia de comunhão: amor traduzido em gestos concretos que promovem a vida e é sinal de uma sociedade nova, permeada pela fraternidade pela partilha.” Na sua vida – afirmou o bispo – contemplamos a realização das palavras da Gaudium et Spes: “A missão da Igreja por natureza , se mostra religiosa e por isso mesmo profundamente humana”.

“O exemplo de Ginetta. com a sua fé cristalina, a sua vida totalmente imbuída de Evangelho, certamente será uma luz para muitas pessoas”. E’ a certeza espressa pela Presidente do Movimento dos Focolares na sua  mensagem. “Por isso – escreveu – estamos felizes por entregar à Igreja o seu maravilhoso testemunho”.

Na catedral de Osasco se respirava um clima de grande alegria e emoção.

A sua imagem luminosa na foto ao lado do altar tornava visível, mais do que nunca, a atração que sua vida continua a exercer ainda hoje. Vê-la, através de uma grande tela, em um vídeo, onde em poucos minutos comunicou a força do seu encontro em 1944 com Chiara, com o carisma da unidade, com Deus que transformou a sua vida, foi impressionante.

Forte e comovente o testemunho de Norma Curti, que viveu com Ginetta por mais de 30 anos; “não existia obstáculo, imprevisto ou contrariedade que a freava”- disse. “A sua força era a fé nas palavras do Evangelho”. E a fé , dizia Ginetta: “é a nossa participação à onipotência de Deus.”

Seguiu-se a cerimônia presidida pelo Bispo, com todos os membros que compunham o Tribunal da Causa: o postulador, Carlo Fusco e a vice-postuladora Sandra Ribeiro.  Aos pés do altar as 14 caixas que foram fechadas e lacradas. Estas caixas contêm, recordou Sandra Ribeiro, além dos 130 testemunhos de cardeais, bispos, mães e pais de família, de políticos, empresários, trabalhadores, movidos pelo fascínio de Deus, que Ginetta comunicava. Um total de quase 5000 paginas, e também escritos de diários que por 40 anos escreveu fielmente e, anotações de seus numerosos discursos e cartas.

Estiveram presentes na cerimônia o ex- ministro do trabalho, Walter Barelli, representantes do Circulo Trentino em São Paulo, uma delegação da associação budista  Risho Kossei – Kai no Brasil, com o Rev. Kazuyoshi  Nakahara; Dr. Carlos Barbouth e a sua esposa Elsa, hebreus, membros do Conselho Geral da Fraternidade cristã judaica de São Paulo, como demonstração de que o testemunho de Ginetta vai além dos confins da Igreja.

“Sentimo-nos unidos no seu mesmo caminho” – foram as palavras do Dr. Barbout. “Eu sempre acreditei que todos podemos ser exemplos uns para outros, e testemunho dos valores mais genuínos daquilo que mais precioso podemos realizar: trabalhar por um mundo melhor. Ginetta certamente cumpriu esta missão”.