Que o legado social da JMJ possa estender-se a todo o Brasil, disse Pe. Manuel Manangão

Pe. Manuel de Oliveira Manangão, vigário episcopal para a caridade social da Arquidiocese do Rio de Janeiro e diretor do legado social em conversa com ZENIT

Brasília, (Zenit.org) Thácio Siqueira | 602 visitas

Hoje é dia 26 de agosto e justamente há dois meses atrás, 26 de Junho, ocasião em que a ONU celebrou o dia Internacional contra o abuso de drogas, e emitiu o Relatório Mundial sobre Drogas 2013, Ban Ki-Moon, secretário geral da instituição denunciava em sua mensagem: “Em todo o mundo, as drogas ameaçam a saúde e o bem-estar de jovens e crianças, famílias e comunidades, e os bilhões de dólares gerados pelo tráfico de drogas que alimentam a corrupção aumentam o poder das redes criminosas e geram medo e instabilidade”. 

Quase um mês depois, 24 de Julho, um dia depois de ter visitado o Santuário de Aparecida, o Papa Francisco visitava o “Santuário do sofrimento humano”, como ele mesmo denominou, o hospital São Francisco de Assis, na cidade do Rio de Janeiro, “lugar de luta contra a dependência química” e lugar que nos ensina que  “precisamos todos aprender a abraçar quem passa necessidade”.

Papa Francisco, em seu discurso alertou que “a chaga do tráfico de drogas, que favorece a violência e que semeia a dor e a morte, exige da inteira sociedade um ato de coragem. Não é deixando livre o uso das drogas, como se discute em várias partes da América Latina, que se conseguirá reduzir a difusão e a influência da dependência química.”  

A solução, fortemente apresentada pelo Papa, é a de “enfrentar os problemas que estão na raiz do uso das drogas, promovendo uma maior justiça, educando os jovens para os valores que constroem a vida comum, acompanhando quem está em dificuldade e dando esperança no futuro.”

Porém, ainda só “abraçar não é suficiente. Estendamos a mão a quem vive em dificuldade, a quem caiu na escuridão da dependência, talvez sem saber como, e digamos-lhe: Você pode se levantar, pode subir; é exigente, mas é possível se você o quiser.”, afirmava o Papa.

“Esse estender a mão a quem vive em dificuldade” foi uma grande preocupação prática da Jornada Mundial da Juventude Rio 2013, e se concretizou nesse legado social que permaneceu na Cidade Maravilhosa.

No meio do corre-corre daqueles dias de Jornada, entre multidão, emoção, muita espiritualidade, praia e a presença do Papa Francisco, ZENIT bateu um papo com o Pe. Manuel de Oliveira Manangão, vigário episcopal para a caridade social da Arquidiocese do Rio de Janeiro e diretor do legado social.

O que é o Legado Social

“O legado social da Jornada Mundial da Juventude, na verdade é a construção de uma grande rede das entidades católicas que já lidam na área da recuperação da drogadição e que agora vão ter a possibilidade de potencializar os trabalhos que individualmente cada uma das entidades já fazia.”, explicou Pe. Manuel de Oliveira Manangão.

Focos principais do Legado

O diretor do legado esclareceu os três focos principais do projeto: A prevenção, ou seja, “impedir com que a criança, o jovem cheguem ao estágio de envolvimento com a drogadição”; o tratamento, que “é uma internação livre porque as portas ficam abertas e a pessoa, não querendo ficar, não fica. Período que vai até ela ir adquirindo uma evolução nessa tomada de consciência de adquirir a liberdade de continuar vivendo. É um processo que pode chegar a um máximo de nove meses ou talvez um pouco mais”; e por último a continuidade, já que “quando a pessoa sai de uma dessas unidades ou diretamente do atendimento da rede hospitalar para a sociedade, se ela não tiver um grupo no qual se apoie, normalmente cairá novamente na drogadição”, enfatizou o diretor do legado.

Ligação entre Legado Social e JMJ

Padre Manuel Manangão disse que “Chama-se legado da JMJ porque ele nasce a partir da JMJ. Agente queria que a Jornada Mundial da Juventude no Rio de Janeiro, para além daquilo que tradicionalmente a Jornada já deixa, que é todo um trabalho de ação pastoral, deixasse algo muito visível que pudesse servir de motivação para a sociedade trabalhar a realidade dos jovens”.

Portanto, “Ao terminar a Jornada de Madrí, aqueles que já estavam envolvidos com a preparação da Jornada daqui do Rio de Janeiro tomaram consciência e perceberam a possibilidade de deixar alguma coisa mais palpável e aí foi criado esse legado social voltado para o mundo da drogadição”.

Grande sonho: replicar o legado em todos os regionais

“O grande sonho – continuou o diretor do legado - é que isso pudesse se replicar em todo o Brasil a partir dos centros de pastoral de cada um dos regionais. Aqui no Rio de Janeiro acabou se realizando isso porque quando agente abriu para começar a conversar com as entidades religiosas, com as entidades terapêuticas, vieram pessoas dos mais variados lugares. Veio gente de Niterói, veio gente da baixada, veio gente de Petrópolis, de Teresópolis, de Friburgo... então, das dioceses vizinhas, acabou se tornando um legado em função do Regional Leste 1.”, concluiu Pe. Manangão.