Que tipo de semente sai do nosso coração e da nossa boca?

No Angelus, o Papa comenta a parábola do semeador; lança um apelo pela paz; recorda o "Domingo do Mar" e cumprimenta os Camilianos

Roma, (Zenit.org) Redacao | 662 visitas

Apresentamos as palavras do Papa Francisco pronunciadas neste domingo, 13 de julho, diante dos fiéis reunidos na Praça de São Pedro para rezar a oração mariana do Angelus. 

Irmãos e irmãs, bom dia!

O Evangelho deste domingo (Mt 13,1-23) nos mostra que Jesus prega na margem do lago da Galiléia, e por que uma grande multidão estava em volta dele, ele vai para um barco, afastando-se um pouco da costa e prega por  lá. Quando fala ao povo, Jesus utiliza muitas parábolas: uma linguagem compreensível a todos, com imagens da natureza e de situações da vida cotidiana.

A primeira é uma introdução a todas as parábolas: do semeador que sem poupar lança a sua semente em qualquer tipo de terreno. E o verdadeiro protagonista desta parábola é a própria semente, que produz mais ou menos frutos, dependendo do terreno em que caiu. Os três primeiros terrenos são improdutivos: no caminho a semente é comida por pássaros; no terreno rochoso os rebentos secam rapidamente porque não têm raízes; entre os espinhos a semente é sufocada pelos espinhos. O quarto terreno é a terra boa, e só ali, a semente se enraíza e produz frutos.

Neste caso, Jesus não se limitou a apresentar a parábola, Ele também explicou aos seus discípulos. A semente que caiu no caminho representa os que ouvem a proclamação do Reino de Deus, mas não o acolhem; assim vem o Maligno e leva-o embora. O Maligno, de fato, não quer que a semente do Evangelho brote nos corações dos homens. Esta é a primeira comparação. A segunda é a semente que caiu nas pedras: são as pessoas que ouvem a palavra de Deus e a acolhem imediatamente, mas superficialmente, porque não têm raízes e são inconstantes; e quando chegam as provações e tribulações, essas pessoas se abatem imediatamente. O terceiro caso é o das sementes que caíram entre os espinhos: Jesus explica que se refere às pessoas que ouvem a palavra, mas, por causa das preocupações mundanas e da sedução da riqueza, permanecem abafadas. Por fim, a semente que caiu em solo fértil representa aqueles que escutam a palavra, a acolhem e guardam, e essa dá frutos. O modelo perfeito desta terra boa é a Virgem Maria.

Esta parábola fala a cada um de nós hoje, como falava aos ouvintes de Jesus há dois mil anos. Nos lembra que somos o terreno onde o Senhor incansavelmente lança a semente da Sua Palavra e do Seu amor. Com que disposição a acolhemos? E perguntemo-nos: como está o nosso coração? A qual terreno se parece: com o da beira do caminho, uma pedreira, um arbusto? Depende de nós nos tornar terra boa sem espinhos nem pedras, mas arado e cultivado com carinho, para que possa produzir bons frutos para nós e para nossos irmãos.

E nos fará bem não esquecer que também nós somos semeadores. Deus semeia a boa semente, e também aqui podemos nos perguntar: que tipo de semente sai do nosso coração e da nossa boca? As nossas palavras podem fazer tão bem, mas também tão mal; podem curar e podem ferir; podem encorajar e podem deprimir. Lembrem-se: o que conta não é o que entra, mas o que sai da boca e do coração.

Que Nossa Senhora nos ensine, com o seu exemplo, a acolher a Palavra, protegê-la e fazê-la fecundar em nós e nos outros.

(Depois do Angelus)

Apelo

Dirijo a todos vós um premente apelo para que continueis a rezar com insistência pela paz na Terra Santa, à luz dos trágicos acontecimentos dos últimos dias. Ainda tenho na memória a viva recordação do encontro do passado 8 de Junho, com o Patriarca Bartolomeu, o Presidente Peres e o Presidente Abbas, com os quais invocamos o dom da paz e escutamos a chamada para quebrar o ciclo do ódio e da violência. Alguns poderiam pensar que esse encontro realizou-se em vão. Mas não! Porque a oração nos ajuda a não nos deixarmos vencer pelo mal, nem a resignar-nos que a violência e o ódio levem a melhor contra o diálogo e a reconciliação. Exorto as partes interessadas e todos aqueles que têm responsabilidades políticas a nível local e internacional, para não poupar a oração e algum esforço para pôr fim a todas as hostilidades e alcançar a paz desejada para o bem de todos. E convido-vos a todos vós para vos unirdes na oração. Em silêncio, todos, rezemos. Agora, Senhor, ajuda-nos Tu! Dá-nos Tu a paz, ensina-nos Tu a paz, guia-nos Tu rumo à paz. Abre os nossos olhos e os nossos corações e dá-nos a coragem de dizer: "nunca mais a guerra"; "com a guerra tudo se destrói!" Dá-nos a coragem de realizar gestos concretos para construir a paz ... Faz-nos dispostos a ouvir o grito dos nossos cidadãos que nos pedem para transformar as nossas armas em instrumentos de paz, os nossos medos em confiança e as nossas tensões em perdão. Amém.

Caros irmãos e irmãs,

Hoje celebra-se o “Domingo do Mar”. Dirijo o meu pensamento aos marítimos, aos pescadores e às suas famílias. Exorto as comunidades cristãs, especialmente as costeiras, para que sejam atentas e sensíveis para com eles. Convido os capelães e voluntários do Apostolado do Mar para continuarem o seu empenho no cuidado pastoral destes nossos irmãos e irmãs. A todos, mas de modo especial àqueles que se encontram em dificuldades e longe de casa, confio à materna proteção de Maria, Estrela do Mar.

Uno-me em oração aos Pastores e fiéis que participam da peregrinação da Família da Rádio Maria em Jasna Gora, Czestochowa, agradecendo-lhes pelas orações e abençoando-os de coração.

Saúdo afetuosamente a todos os filhos e filhas espirituais de São Camilo de Lellis, que amanhã marca os 400 anos da sua morte. Convido a Família Camiliana, no auge deste ano jubilar, a ser um sinal do Senhor Jesus que, como bom samaritano, se inclina sobre as feridas do corpo e do espírito da humanidade sofredora, derramando sobre elas o óleo da consolação e o vinho da esperança. A todos os presentes na Praça de São Pedro, bem como aos profissionais da saúde que trabalham nos hospitais e lares de idosos, auguro que cresçam mais e mais no carisma da caridade, alimentado pelo contato quotidiano com os doentes. E por favor, não vos esqueçais de rezar por mim, bom Domingo e bom almoço. Adeus!

(Trad.:MEM)