Quem elege o papa?

À luz da fé, quem elege ou escolhe o papa é o Espírito Santo, a Segunda Pessoa da Santíssima Trindade

São Paulo, (Zenit.org) Edson Sampel | 1355 visitas

Quando se pergunta quem elege o papa, é comum ouvir a resposta automática: os cardeais. Na verdade, à luz da fé, quem elege ou escolhe o papa é o Espírito Santo, a Terceira Pessoa da Santíssima Trindade, ou seja, Deus mesmo. Sobrenaturalmente falando, os cardeais são um instrumento para a eleição do sucessor de são Pedro.

Deus, com efeito, gosta de empregar esse método de parceria com o ser humano. Assim, por exemplo, a bíblia foi escrita por dezenas de pessoas ao largo de séculos, porém sob a inspiração divina. Por isso, diz-se com acerto que Deus é o autor das escrituras sagradas.

Os cardeais estão plenamente cônscios do seu verdadeiro papel no processo de eleição do novo sumo pontífice. Sabem que não se trata apenas de uma solenidade jurídico-canônica. A própria lei que regula a eleição do bispo de Roma salvaguarda a sacralidade dos votos, dispondo que o escrutínio seja realizado na Capela Sistina, “onde tudo concorre para avivar a consciência da presença de Deus, diante do qual deverá cada um apresentar-se um dia para ser julgado.” (Constituição Apostólica Universi Dominici Gregis, preâmbulo).

Acima de quaisquer critérios meramente contingentes (cor, país, idade etc.), deve prevalecer a vontade de cada purpurado de dar seu voto àquele que realmente pode segurar firme o timão da barca de Pedro, tendo em vista os desafios atuais do cristianismo. No conclave, sob a moção do Espírito Santo, os eleitores têm de pôr de lado eventuais sentimentos de apreço ou desapreço e tão somente visar ao bem da Igreja, do povo de Deus. Deveras, tal regra deveria ser empregada igualmente na vida pública estatal: os políticos deveriam objetivar só o bem comum. Sem embargo, creio que os cardeais, em clima de profunda oração, decerto encontram-se mais propensos a agir desinteressadamente.

Os católicos podem e devem coparticipar do conclave. Como? Rezando. Pedindo que nossa Senhora Aparecida, a padroeira do Brasil, intervenha junto a Jesus para o sucesso do pleito que, com a fumaça branca, redundará na escolha do novo  vigário de Cristo.

Edson Luiz Sampel é Doutor em Direito Canônico pela Pontifícia Universidade Lateranense, do Vaticano e Professor da Escola Dominicana de Teologia (EDT)