Quem incentiva a violência sexual contra mulheres e crianças?

Cardeal Scherer convida à reflexão diante de uma cultura sem valores éticos

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SÃO PAULO, quarta-feira, 11 de março de 2009 (ZENIT.org).- O arcebispo de São Paulo, cardeal Odilo Scherer, convida à reflexão «quem promove uma cultura desprovida de valores éticos, quem incentiva e explora a prostituição, a promiscuidade e incita à iniciação sexual precoce de crianças e adolescentes».

Segundo Dom Odilo, estas pessoas deveriam pensar se não estão «incentivando, também, a violência sexual contra mulheres e crianças, ou apoiando comportamentos sexuais aberrantes, como os que são objeto de notícia na imprensa».

O arcebispo discute em seu artigo desta semana no jornal O São Paulo o tema da Campanha da Fraternidade da Igreja no Brasil (Fraternidade e Segurança Pública), evento que «apenas está no início», mas é surpreendido «cada dia com notícias sobre novos fatos e esquemas de refinada violência».

O cardeal Scherer cita o caso de «um grupo de extermínio atuando na área metropolitana de São Paulo e que cortava mãos e cabeças das vítimas para não serem reconhecidas».

Também os episódios de «crianças abusadas sexualmente de maneira aberrante e vergonhosa»; «a menina de 9 anos, no Pernambuco, abusada durante três anos por um familiar, resultando grávida».

Segundo Dom Odilo, «a negação das implicações morais e da responsabilidade social nos comportamentos individuais, bem como o incentivo à banalização do sexo e do casamento, está fragilizando a família e pode ser causa de violência».

«Alguém já fez uma análise séria das consequências da farta distribuição de preservativos, não só no sambódromo por autoridades, mas até em escolas, para crianças e adolescentes?»

«O desmantelamento da família mediante políticas públicas que atendem a grupos de pressão mais que ao interesse social e coletivo, sobretudo dos grupos sociais que mais necessitam da família, como as crianças, os idosos e os doentes, é uma grande irresponsabilidade e trará consequências graves para a sociedade e o Estado», afirma.

De acordo com o arcebispo, a família «é um bem para a pessoa e para a sociedade e, por isso, deve ser defendida e amparada por políticas públicas que lhe possibilitem o exercício de suas atribuições naturais e sociais».

«Muita violência, infelizmente, tem origem debaixo do teto familiar. O caso triste do estupro das meninas por um padrasto, no Pernambuco, não é único; tais fatos devem ser denunciados», escreve.

Ainda de acordo com o arcebispo, muita violência «está relacionada com a ausência de uma sólida educação recebida em família, ou com os ambientes já contaminados por toda sorte de sordidez, onde as crianças convivem desde cedo com vícios e violência, são vítimas dela e acabam sendo orientadas para repetir comportamentos violentos».

«A superação da violência não acontecerá simplesmente por esquemas repressivos mas por mudanças de fundo cultural. A escola tem um papel importante na formação dos valores para uma convivência respeitosa e sadia.»

«Mas, quando a própria escola está desamparada, o que se pode ainda esperar? Fico impressionado quando ouço ou leio que professores têm medo de entrar em certas salas de aulas frequentadas por crianças e adolescentes», lamenta.

Dom Odilo espera que esta Campanha da Fraternidade «se torne ocasião para uma séria reflexão sobre as causas da violência na sociedade».