Quem proclama o grande amém?

Responde o pe. Edward McNamara, LC, professor de teologia e diretor espiritual

Roma, (Zenit.org) Pe. Edward McNamara, L.C. | 1040 visitas

Um leitor brasileiro enviou ao pe. McNamara a seguinte pergunta. “É correto as pessoas cantarem o amém final da oração eucarística? Alguns sacerdotes dizem que ele não deve ser cantado, porque é um momento íntimo, ligado à paixão, morte e ressurreição de Cristo” – R.N., Novo Hamburgo, Rio Grande do Sul.

Outro leitor, este dos EUA, também envia uma pergunta sobre a doxologia: “Em nossa paróquia, o padre convidou os fiéis a rezar com ele a doxologia: ‘Por Cristo, com Cristo e em Cristo...’. Eu pensava que ela fosse reservada ao sacerdote. Estou errado?” - K.S., Utica, Nova Iorque.

Publicamos abaixo a resposta do pe. McNamara.

O Ordenamento Geral do Missal Romano (OGRM) é muito claro. Em seu nº 151, ele afirma: "No fim da oração eucarística, elevando a patena com a hóstia juntamente com o cálice, o sacerdote pronuncia, sozinho, a doxologia: Por Cristo... As pessoas, no final, aclamam: Amém. Em seguida, o sacerdote coloca sobre o corporal a patena e o cálice".

O sacerdote pronuncia ou canta esta oração sozinho (ou em conjunto com outros sacerdotes concelebrantes), porque ela faz parte da oração eucarística, que sempre foi reservada exclusivamente ao sacerdote.

A assembleia dá o seu assentimento às palavras do sacerdote dizendo ou cantando o amém, que também é conhecido como “o grande amém", por ser o mais importante da missa. Este amém é considerado a conclusão definitiva da oração eucarística, e a sua doxologia (do grego δόξα, louvor, ou seja, hino ou oração de louvor) é simbolizada pelo fato de o sacerdote abaixar o cálice e a patena apenas quando as pessoas concluíram o amém. Em muitas celebrações papais, a importância deste amém é destacada pelas três vezes em que ele é cantado de forma solene.

Não é, portanto, um momento de intimidade, mas, ao contrário, um momento público de louvor realizado por toda a assembleia.

É verdade que o atual rito da missa inclui a proclamação do mistério da fé por parte da assembleia depois da consagração, mas, estritamente falando, ela não faz parte da oração eucarística. Ela é omitida quando o sacerdote celebra sozinho ou concelebra em ausência de ministros ou de assembleia. Portanto, não equivale ao amém final.

A prática da assembleia que se une à doxologia é encontrada em vários lugares, às vezes porque um sacerdote pode ter erroneamente convidado a assembleia a fazê-lo. Mais frequentemente, porém, é um provável resultado da introdução da língua vernácula, que levou as pessoas a repetirem espontaneamente esse texto rítmico. Como não foi corrigido na época, tornou-se um hábito já difícil de eliminar.

Como dizer isto ao seu pároco? Eu proponho que você lhe recorde, muito gentilmente, as normas a respeito, sugerindo, ao mesmo tempo, uma alternativa para destacar a importância desses momentos litúrgicos. Uma possibilidade é lhe pedir que cante a doxologia, para que a resposta do povo também seja cantada. Outra possibilidade para tornar este amém mais solene é repeti-lo três vezes em crescendo, como nas celebrações pontifícias. Desta forma, ele também serve como “gancho” musical para o pai-nosso.

Esta solução, junto com uma catequese adequada, pode ajudar a mudar o costume enraizado em muitos lugares onde o povo se une à doxologia. É necessário retornar à fidelidade às normas litúrgicas, evitando dar a impressão, porém, de que se queira reduzir a ação dos fiéis.

Aqui, como na ética, a maneira mais eficaz de combater um hábito errôneo não é tanto a repressão do vício, mas a formação da virtude oposta.

* Os leitores podem enviar perguntas para liturgia.zenit@zenit.org. Pede-se a gentileza de mencionar a palavra "Liturgia" no campo assunto. O texto deve incluir as iniciais da pessoa e o nome da cidade, do estado e do país. O pe. McNamara poderá responder apenas a uma pequena parcela das muitas perguntas que recebemos.