Quem se esquece do amor de Deus e se torna adorador de si mesmo é corrupto

Homilia na Casa Santa Marta: papa Francisco pede "a graça de nos sentirmos todos os pecadores"

Cidade do Vaticano, (Zenit.org) Luca Marcolivio | 733 visitas

A corrupção como oposição à santidade foi o tema da homilia do papa Francisco na missa desta manhã na Casa Santa Marta. O papa concelebrou com o cardeal Angelo Amato, prefeito da Congregação para as Causas dos Santos. Participaram da celebração alguns colaboradores da mesma congregação.

Partindo do evangelho do dia (Mc 12,1-12), o Santo Padre explicou que existem "três modelos de cristãos na Igreja: os pecadores, os corruptos e os santos". Quanto aos pecadores, "não é necessário falar muito, porque todos nós somos" e, "caso algum de nós não se sinta pecador, que vá fazer uma visita ao médico espiritual", acrescentou, com seu estilo bem humorado.

O papa se concentrou especialmente na categoria dos “corruptos” ou “corrompidos”, exemplificada no evangelho do dia pelos vinhateiros perversos que queriam "apossar-se da vinha e que tinham perdido o relacionamento com o Senhor da vinha".

O Senhor da vinha é uma metáfora para Deus, que "nos chamou com amor e nos protege, mas também nos deu a liberdade", observou Francisco. Os vinhateiros da parábola são pessoas que "se sentiram fortes, autônomas sem Deus": esta atitude, explicou o pontífice, é sinônimo de corrupção.

Os corrompidos são aqueles que “eram pecadores como todos nós", mas "deram um passo a mais" e "se consolidaram no pecado", como se não tivessem mais "necessidade de Deus". Não sendo capazes de realmente negar a Deus, eles "fazem um deus especial: eles próprios são o seu deus".

Nas comunidades cristãs, a corrupção também existe e se manifesta, por exemplo, nas atitudes sectárias daqueles que parecem acolher os outros, mas na verdade pensam somente nos interesses do seu pequeno grupo.

Judas é o fundador “da raça dos cristãos degenerados: de pecador miserável, ele terminou como corrompido”. Os corruptos, acrescentou o papa, são "grande desmemoriados": eles se esqueceram do amor de Deus, tornando-se "adoradores de si mesmos".

"Quanto mal fazem os corruptos nas comunidades cristãs! Que o Senhor nos livre de deslizar para essa estrada de corrupção".

Lembrando o cinquentenário da morte do beato João XXIII, "modelo de santidade", o papa Francisco aproveitou para lembrar quem são os santos: aqueles que "vão buscar o aluguel" da vinha, que "sabem o que os aguarda, mas cumprem o seu dever".

Os santos, também, são "aqueles que obedecem ao Senhor, que adoram o Senhor, que não perderam a memória do amor com que o Senhor fez a vinha". Assim como os corrompidos prejudicam a Igreja, os santos a beneficiam. E ao passo que os corruptos são descritos pelo apóstolo João como "o anticristo", como aqueles que "estão no meio de nós, mas não são dos nossos", os santos são, por outro lado, como uma luz na presença de Deus e curvam-se diante dele em adoração.

A exortação final do Santo Padre foi um pedido a Deus: "a graça de nos sentirmos pecadores", não em abstrato, mas pelos nossos pecados concretos e específicos, juntamente com a "graça de não nos tornarmos corruptos: pecadores, mas corruptos não".