Questão da violência no Rio de Janeiro, preocupação do novo arcebispo

D. Orani Tempesta lembra que tema da segurança é debatido na Campanha da Fraternidade

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Por Alexandre Ribeiro

RIO DE JANEIRO, segunda-feira, 2 de março de 2009 (ZENIT.org).- O novo arcebispo do Rio de Janeiro, Dom Orani João Tempesta, ao comentar que uma pergunta constante dos jornalistas, após sua nomeação, foi sobre a violência no Rio, afirmou que esta é uma preocupação não apenas sua, mas de toda Igreja no Brasil, que discute o tema da segurança pública na Campanha da Fraternidade.

«Todos queremos que seja mudada essa situação [de violência] que ora vivemos em nosso mundo e de maneira especial em nosso país. Essas preocupações estão dentro das reflexões de nossa atual Campanha da Fraternidade», recorda, em artigo difundido à imprensa nesse domingo.

Segundo o arcebispo, não existem «soluções mágicas para grandes questões de comportamento social e principalmente para as mudanças sociais, principalmente culturais, profundas que aconteceram na sociedade».

«São questões de valores familiares, éticos-morais, valorização da vida, posicionamento da mídia, situação da criminalidade, problemas sociais diversos, esquecimento do transcendente.»

Dom Orani considera que não faltam orientações da Igreja sobre essas questões, mas «depende muito do acolhimento que as pessoas fazem às orientações».

«O Evangelho vivido com a liberdade cristã, sem fanatismos e fundamentalismos, é um caminho seguro para uma convivência de paz», considera.

«Muitos daqueles que não crêem colocam em prática os valores do Evangelho mesmo sem saber quando agem com sinceridade e na busca da verdade.»

O tema da segurança pública apresenta para a Campanha da Fraternidade um «desafio enorme», «que não conseguiremos resolver em um ano», destaca.

Por isso, o arcebispo recorda que a Igreja no Brasil fez a proposta de apresentar, no final da Campanha, «um projeto de estado que a curto, médio e longo prazo dê passos na direção da construção de uma sociedade que sonhamos».

«Não existe solução para problemas profundos a que chegamos sem uma opção séria para que, em examinando os caminhos, cheguemos unidos a alguns parâmetros em que a maioria aposte como importantes para o nosso futuro.»

«Aquilo que foi ocorrendo como um rio caudaloso levando-nos a essa mudança cultural de hoje terá de ser agora repensado com a inteligência e decisão humana. A Igreja está presente e quer colaborar», afirma.