Quo vadis, Domine?

A lenda sobre são Pedro não se aplica ao caso do papa Bento XVI!

São Paulo, (Zenit.org) Edson Sampel | 2605 visitas

Uma lenda sobre são Pedro não se aplica ao caso do papa Bento XVI! Segundo a referida lenda, o primeiro papa, desiludido, estava para abandonar Roma, quando, na Via Apia, encontra-se com Jesus e lhe pergunta: “quo vadis, Domine”?, isto é, “aonde vais, Senhor?” Jesus teria respondido que retornaria a Roma, para ser novamente crucificado, já que são Pedro estava indo embora. Diante desta resposta, conta a lenda, são Pedro arrepiou caminho e regressou à Cidade Eterna.

Imaginemos, agora, uma história um pouco diferente: quem questiona é Jesus. O senhor (“dominum”) Bento XVI, rumo a Gastel Gandolfo, avista Jesus e este lhe pergunta: “quo vadis, domine?”. Acho que o papa emérito lhe responderia: “Deixo o ofício que o Senhor me confiou para o bem da Igreja”. Na verdade, essa resposta, em oração, foi realmente dada ao divino fundador da Igreja católica.

Daqui a algumas horas, a sé (forma apocopada da palavra “sede”, que quer dizer “cadeira”) de são Pedro estará vazia ou vacante. Ratzinger renunciou, asseverando que  “(...) para governar a barca de são Pedro e anunciar o evangelho, é necessário também o vigor quer do corpo quer do espírito; vigor este que, nos últimos meses, foi diminuindo de tal modo em mim que tenho de reconhecer a minha incapacidade para administrar bem o ministério que me foi confiado.”

Os dias de sé vacante são decerto um tempo de apreensão. Coragem! Desta vez, coincidem com a quaresma, época de oração e recolhimento que nos leva à festa maior do cristianismo, a Páscoa, nossa alegria imensa, pois Jesus ressuscitou.

Dentro em breve, seguindo as normas da constituição apostólica Universi Dominci Gregis, os cardeais reunir-se-ão para a escolha de um novo bispo de Roma. Que gáudio inaudito cada um de nós fruirá no seu coração no instante em que se anunciar: “Habemus papam!”, isto é, “Temos um papa!”.

O papa emérito, Bento XVI, em orações contínuas, do mosteiro em que estiver enclausurado, permanecerá em constante sintonia com o sucessor de são Pedro e com todos os cristãos do universo.

A Igreja católica, única pessoa jurídica de direito público com 2 mil anos de idade, jamais desaparecerá da face da terra. Rezemos pelo papa emérito e pelos cardeais que elegerão o próximo vigário de Cristo. Que santa Maria, a mãe da Igreja, rogue ao Espírito Santo para que o sumo pontífice eleito seja alguém que possa confirmar a fé de todos os católicos do planeta.

Edson Luiz Sampel é Doutor em Direito Canônico pela Pontifícia Universidade Lateranense, do Vaticano e professor da Escola Dominicana de Teologia (EDT).