Reafirmar opção preferencial pelos pobres, com atitudes e com a referência de Deus

Pede o arcebispo de Belo Horizonte (Brasil)

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Por Alexandre Ribeiro

BELO HORIZONTE, segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009 (ZENIT.org).- O arcebispo de Belo Horizonte, Dom Walmor Oliveira de Azevedo, considera que, na trilha da Conferência de Aparecida e das indicações de Bento XVI na abertura desse evento, é preciso reafirmar o compromisso da opção preferencial pelos pobres, com atitudes concretas e a referência insubstituível de Deus.

Dom Walmor explica –em artigo enviado a Zenit na sexta-feira passada– que esse seria um caminho para alcançar um modo de vida novo, em um mundo que luta para sair da crise.

Segundo o arcebispo, a opção preferencial pelos pobres é «uma aposta da Igreja que se fundamenta no serviço universal da caridade chamado a frutificar num compromisso de amor ativo e concreto por cada ser humano».

«‘Através desta opção, testemunha-se o estilo do amor de Deus, a sua providência, a sua misericórdia, e de algum modo continua-se a semear na história aqueles germens do Reino de Deus que foram visíveis na vida de Jesus, ao acolher a quantos recorriam a Ele para todas as necessidades espirituais e materiais’», cita, tomando palavras da Carta Apostólica “Início do Novo Milênio” (n. 49), de João Paulo II.

De acordo com Dom Walmor, ter no horizonte o compromisso da opção preferencial pelos pobres, particularmente neste momento grave da história, «é recuperar um vértice indispensável para apostar e perseguir um modus vivendi novo».

«Um modus vivendi que se sustenta para além de palavras, palavras que são palavras nada mais do que palavras. O desafio que está neste detalhe leva a Igreja a falar da opção preferencial pelos pobres inclusive até o martírio.»

O arcebispo explica que ‘até o martírio’ «é uma expressão nova que, acrescida do entendimento largo e desafiador da opção preferencial pelos pobres, inclui a superação de um discurso repetitivo e estéril, sem força para configurar hábitos novos na cultura».

«Inclui, também, a superação do entendimento e a configuração de um discurso que não significa, hoje, mais do que simples narrativa ou até mesmo protestos inócuos, vendo permanecer tudo como antes.»

Até o martírio, como exigência da opção preferencial pelos pobres neste terceiro milênio, como indica a Conferência de Aparecida –prossegue Dom Walmor–, «é uma bifurcação que faz o entendimento da opção encontrar sua fonte inesgotável na referência insubstituível de Deus».

«A referência insubstituível de Deus é alternativa única para que o mundo contemporâneo tenha uma fonte inesgotável de indicações para o urgente repensar das condições de vida, da retomada de valores e da configuração da cultura nova, não subjugada ao mercado e ao poder das coisas que estão definindo processos e suas dinâmicas. Até o martírio é a novidade deste tempo», destaca o arcebispo.