Realiza a paz quem ama e serve à vida na sua totalidade

Mensagem do cardeal Turkson para a jornada de oração pela paz na Terra Santa

Roma, (Zenit.org) | 1017 visitas

Reproduzimos a seguir o texto da mensagem do cardeal Peter K. A. Turkson por ocasião da 5ª Jornada Internacional de Intercessão pela Paz na Terra Santa.

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Queridos irmãos e irmãs,

Ao se aproximar a Jornada Mundial de Intercessão pela Paz na Terra Santa, eu gostaria de lhes transmitir a minha saudação e a minha oração.

Como faz todos os anos, o Santo Padre nos ofereceu, na sua mensagem para o Dia Mundial da Paz de 2013, um texto para refletirmos e meditarmos sobre o nosso papel de operadores da paz.

Preparando-nos para viver e celebrar esse dia de oração pela Terra Santa, nós também encontramos nas palavras do Santo Padre um ponto de partida para entender qual é a contribuição que podemos dar à Igreja universal e à delicada porção da Igreja presente no Oriente Médio.

A mensagem de Bento XVI ecoou pelo mundo. Ela combinou o desenvolvimento integral com a paz. O Santo Padre quer dizer que a vocação inata da humanidade à paz faz parte do desejo natural de uma vida plena, feliz e bem-sucedida. A aspiração de paz, assim, coincide, em muitos aspectos, com o desejo do desenvolvimento integral de todos e de cada um ("A paz, anseio profundo dos seres humanos de todos os tempos, pode ser instaurada e consolidada somente no pleno respeito da ordem estabelecida por Deus", diz João XXIII).

A paz é fruto da humanidade em comunhão com Deus, isto é, de uma humanidade que não é apenas inerentemente capaz de procurar a verdade, o bem e Deus, mas que os escolhe e que define a existência como partilha de uma vida que vem do alto.

A mensagem para o Dia Mundial da Paz de 2013 é uma perfeita continuidade do sínodo de outubro de 2012, sobre a nova evangelização.

A paz e a educação para a paz dependem principalmente - mas não exclusivamente - de uma nova evangelização. Através dela é que se torna possível, num processo de conversão, o encontro ou a reunião de pessoas com Cristo, o Salvador e Redentor. A paz é um dom de Deus e do trabalho do homem.

A comunhão dos homens com Deus, tornada possível pela encarnação de Jesus Cristo e pela fé nele, origina uma nova visão da relação entre indivíduos e instituições, uma nova moral, novas culturas, novas escalas de valores e bens, novas escolhas, novas atitudes e estilos de vida, novos humanismos.

Uma comunhão mais profunda com Deus, proporcionada por uma nova evangelização, num contexto que tende a marginalizá-lo ou ser indiferente a ele, nos habilita a ser operadores da paz de acordo com Deus e, em particular, a ser arautos de um novo modelo de desenvolvimento e, consequentemente, de um conceito de bem comum mais abrangente e mais aberto à transcendência.

A mensagem de Bento XVI esclarece que a forma de alcançar a paz e o bem comum é o respeito e a promoção da vida humana, considerada na multiplicidade dos seus aspectos, a partir do seu início, do seu desenvolvimento, até o seu fim natural.

Pacificadores verdadeiros são aqueles que amam e servem à vida humana em sua totalidade, em todas as suas dimensões: pessoal, comunitária, transcendente. A plenitude da vida é o ápice da paz.

A mensagem de Bento XVI nos convida a ser pacificadores integrais, protegendo e implementando todos os direitos e deveres do homem e da comunidade. A paz e o bem comum devem ser buscados em comunidade, realizando o pleno bem de cada ser humano e de cada povo.

Que a próxima Jornada Internacional de Intercessão pela Paz na Terra Santa seja outra boa oportunidade para nos sentirmos parte da Igreja peregrina que se achega aos irmãos mais necessitados. Eu quero me tornar mais próximo, de modo especial, dos muitos jovens que participarão deste evento. Modelem a sua vida com base no evangelho e sigam os ensinamentos de Jesus, que nos pede ser sempre e em toda parte, a começar pelas nossas vidas diárias, operadores de paz.