Reflexão sobre os aspectos psicológicos do pós-aborto

Artigo científico sobre os aspectos psicológicos do pós-aborto, elaborado pela psicóloga Patrícia Bernardo

Brasília, (Zenit.org) | 1651 visitas

Após a nota de esclarecimento ao público do Dr. Ubatan Loureiro Júnior sobre a Circular 46/2013 do Conselho Federal de Medicina (CFM) que despenaliza o aborto até 12 semanas de gestação, a Comissão de Bioética da Arquidiocese de Brasília encaminha outro artigo científico, desta vez elaborado por uma psicóloga.

Trata-de de um artigo científico sobre os aspectos psicológicos do pós-aborto, elaborado pela psicóloga Patrícia Bernardo, que é Mestre em Psicologia Comportamental pela UnB (Universidade de Brasília) e Membro da Comissão de Bioética e Defesa da Vida da Arquidiocese de Brasília.

Publicamos a seguir:

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Direito, liberdade e escolha são algumas palavras usadas por aqueles que defendem a descriminalização do aborto. Nesse debate muito tem se falado sobre a saúde física da mulher e que, hoje em dia, o aborto no Brasil é uma questão de saúde pública. Entretanto, pouco tem se falado sobre os aspectos psicológicos do pós-aborto e o impacto do mesmo sobre a mulher.

A mulher, muitas vezes, decide pelo aborto exposta a uma situação de desespero, medo, falta de alternativa, pressão e falta de apoio durante a descoberta da gravidez. Em um instinto de autopreservação a escolha por retirar a criança de seu ventre parece uma alternativa que trará alívio, solucionando todos os problemas a qual ela está passando. Porém, após o aborto ter sido efetivado e a situação acalmado ela pode ficar confusa.

Nesse momento, muitos sentimentos emergem, tais como mágoas, frustração, culpa, necessidade de reconciliar-se com a criança abortada, vergonha, vontade de isolar-se, depressão, baixa autoestima, medo da reação das pessoas diante do que ela fez, raiva, problemas para dormir, incluindo pesadelos relacionados ao aborto, flashbacks ou “escuta” de sons de um bebê chorando, dificuldades em estabelecer vínculos afetivos e perda do interesse sexual.

Esse impacto negativo do aborto sobre a mulher tem sido estudado nos Estados Unidos, evidenciando que ele pode ser um estressor traumático com resultados adversos. Dois estudos científicos mais conhecidos (Fergusson et al., 2006, 2008) demonstraram que o aborto aumenta significativamente os riscos de doenças mentais em jovens mulheres:

27% das mulheres que cometeram aborto apresentam ideias suicidas, uma taxa quatro vezes maior que as mulheres que nunca engravidaram e mais de três vezes maior que as mulheres que deram à luz;Houve um aumento de 61% dos riscos de pensamentos suicidas associados ao aborto;Houve um aumento de 31% do risco de forte depressão na faixa dos vinte e cinco anos de idade.

Outros estudos científicos com mulheres adultas mostram riscos semelhantes:

Mulheres com histórico de aborto têm aproximadamente três vezes mais chances de apresentar depressões significativas em comparação com as que nunca abortaram (Pedersen, 2008);A taxa de suicídio é aproximadamente seis vezes maior entre as mulheres que abortaram em comparação com as que deram à luz (Gissler et al. 1996, 2005);O risco de suicídio é 154% mais alto entre mulheres que abortaram em comparação com as que deram à luz (Reardon et al. 2002);O aborto aumenta as chances de desenvolvimento de transtorno bipolar em 167% e de forte depressão em 45% (Coleman et al. 2009b).

Diante desses resultados o que devemos fazer? Que caminhos devemos seguir como profissionais de saúde dedicados ao estudo e bem estar daqueles que atendemos? A ciência e seu desenvolvimento devem estar a serviço e progresso da humanidade e toda prática deve avaliar e informar as consequências a curto, médio e longo prazo. O ser humano deve ser estudado em todas as suas dimensões: físicas, psicológicas e espirituais. O aborto seguro, como muitos argumentam como solução para o suposto problema de saúde pública enfrentado pelo Brasil, não garante que a mulher estará psicologicamente bem e adaptada para enfrentar seu dia-a-dia, correndo outros riscos que não estão sendo avaliados. Portanto, o aborto, ao invés de um caminho que trará alívio pode se tornar, do ponto de vista psicológico, fonte de futuros problemas psíquicos.

Patrícia Bernardo

Psicóloga, Mestre em Psicologia Comportamental pela UnB e Membro da Comissão de Bioética e Defesa da Vida da Arquidiocese de Brasília.