Refugiados afegãos na Turquia enfrentam inverno cruel

Número de refugiados continua crescendo no país

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ANKARA, 4 de dezembro de 2012 (ZENIT.org) - Os refugiados do Afeganistão devem enfrentar este ano um duro inverno na Turquia. O Serviço Jesuíta ao Refugiado (JRS) oferece a eles uma ajuda inicial, mas depois eles têm que tocar a própria vida por sua conta em um país cujo idioma desconhecem.

De acordo com o JRS, mais de 8.900 afegãos chegaram à Turquia desde 31 de maio, muitos através do Irã. Acredita-se que a maioria está fugindo da insegurança no Afeganistão, mas alguns provavelmente estiveram residindo clandestinamente no próprio Irã.

Há menos de seis meses, o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) tinha cerca de sete mil afegãos inscritos como refugiados na Turquia. Em menos de seis meses, os números mais que dobraram. Além do aumento numérico, a chegada à Turquia com poucos ou nenhum recurso deixa os refugiados em condições extremamente vulneráveis, denuncia o JRS.

"Durante o verão, alguns deles moraram em barracas, mas foram sendo transferidos para diversas cidades do país. A ideia é que eles achem um lugar para morar e consigam pagar sozinhos o aluguel e os demais gastos. Os refugiados estão espalhados hoje por 51 cidades de toda a Turquia e têm que se apresentar à polícia ao menos uma vez por semana. Para ir para outra cidade, eles precisam de permissão oficial", conta um membro do JRS na Turquia.

Há 700 refugiados na cidade turca de Kirikkale, no interior do país, 600 dos quais chegaram nos últimos dois meses. Outras cidades importantes que recebem levas de refugiados são Tokat (1.800 refugiados), Malatya (1.200) e Sivas (800). O JRS calcula que 98% dos refugiados optarão por ficar na Turquia em vez de se aventurar em mais uma viagem difícil e perigosa rumo à Europa.

"Eles não têm nada, não podem nem pagar o aluguel. Falta tudo. Algumas famílias vivem em barracas no chão batido. E o inverno está chegando", adverte o funcionário do JRS.

O JRS na Turquia

Os refugiados não estão recebendo ajuda nem do governo turco nem da ONU. Sua situação, que já é muito grave, deverá piorar com a chegada do inverno. A necessidade mais urgente é de camas, cobertores, alimento e combustível para a calefação e para a cozinha. O JRS já começou a receber também pedidos de assistência médica dos refugiados, que não podem ser atendidos pelo sistema público de saúde da Turquia.

O Serviço Jesuíta aos Refugiados vem trabalhando no país desde 2009. Encravada entre dois continentes, a Turquia é ao mesmo tempo um porto de chegada e de saída para os refugiados do Afeganistão, do Irã, do Iraque, do Sudão e da Somália. Os refugiados desses países pretendem reassentar-se ou prosseguir até a Europa. Além deles, a Turquia abriga hoje 120.000 refugiados sírios em acampamentos.

As equipes do JRS na Turquia proporcionam assistência material e cestas básicas a 110 refugiados em Ankara e Kirikkale, no centro do país. Cerca de 25 famílias recebem seis cestas no valor de 100 dólares cada. Também são distribuídas cestas individuais, que têm um custo de 50 dólares cada uma. Os refugiados recebem roupa, assessoramento e até cursos de língua turca. Até o momento, o JRS vem levantando fundos localmente, mas o dinheiro angariado se esgota rapidamente.

(Trad.ZENIT)