Rei da Jordânia: O direito dos cristãos à sua fé deve ser defendido

Encontro internacional em Amã: Abdullah II diz que cristãos e muçulmanos devem unir-se contra o sectarismo

Roma, (Zenit.org) | 532 visitas

O recente encontro realizado em Amã, na Jordânia, sobre “O Desafio dos Árabes Cristãos”, promovido pelo rei Abdullah II, abordou temas como a guerra, os atentados, as profanações e as migrações, tendo como pano de fundo o atual conflito sírio. Foi uma oportunidade para as Igrejas no Oriente Médio levantarem a voz no cenário internacional.

"A proteção dos direitos dos cristãos nos conflitos de matriz religiosa que afetam o Oriente Médio não é uma questão de cortesia, mas um dever também, porque os cristãos árabes exerceram um papel chave na construção da sociedade árabe na defensa das justas razões da nossa nação", declarou Abdullah II.

O monarca destacou a necessidade de uma aliança entre cristãos e muçulmanos para enfrentar e derrotar juntos as divisões sectárias que alimentam os conflitos em toda a região, apresentadas como um corpo estranho em "nossas tradições e na herança humanitária e cultural. Cristãos e muçulmanos devem coordenar os esforços e a plena cooperação, dentro de um 'código de conduta unificador', porque é precisamente o isolamento entre os seguidores das diversas religiões o que pode minar o edifício social", publica o diário do Vaticano, L’Osservatore Romano, reproduzindo a fala do rei jordaniano.

Entre os possíveis terrenos de colaboração entre cristãos e muçulmanos, o monarca propôs a defesa comum da fisionomia plural da Cidade Santa: "Todos nós temos o dever de defender a identidade árabe de Jerusalém e proteger os seus lugares santos islâmicos e cristãos".

Participaram da cúpula internacional cerca de setenta pessoas, entre patriarcas, delegados patriarcais, bispos, sacerdotes e outros responsáveis religiosos, que deram a sua contribuição às sessões de estudos dedicadas de forma particular à análise da situação no Egito, na Síria, no Iraque, no Líbano, na Jordânia e em Jerusalém.

L’Osservatore Romano destacou a presença do cardeal Jean-Louis Tauran, presidente do Pontifício Conselho para o Diálogo Inter-Religioso; do núncio apostólico na Jordânia e no Iraque, dom Giorgio Lingua; do patriarca de Jerusalém dos Latinos, Fouad Twal; do patriarca de Jerusalém, Theophilos III; do patriarca armênio ortodoxo Nourhanne Manougian; do patriarca greco-ortodoxo de Antioquia, Yohanna X al-Yazigi, residente em Damasco e irmão do metropolita de Aleppo, Boulos al-Yazigi, que foi sequestrado no mês de abril junto com o metropolita siro-ortodoxo de Aleppo, Gregorios Yohanna Ibrahim, por indivíduos até agora não identificados.

No último dia 29 de agosto, o monarca jordaniano se reuniu no Vaticano com o papa. No encontro, foram abordados temas de interesse comum, em particular o fomento da paz e da estabilidade no Oriente Médio, com especial ênfase na retomada das negociações entre israelenses e palestinos e na questão de Jerusalém. Particular atenção foi dedicada à trágica situação na Síria, reafirmando-se que a via do diálogo e da negociação entre todos os componentes da sociedade síria, com o apoio da comunidade internacional, é a única opção para encerrar o conflito e a violência que, dia após dia, vêm provocando a perda de tantas vidas humanas, principalmente entre a população civil.

Por sua vez, o Vaticano manifestou seu agradecimento ao rei Abdullah pelos esforços que está fazendo em prol do diálogo inter-religioso e pela iniciativa realizada em Amã.