Relação entre movimentos e paróquias

Possibilidades e dificuldades, segundo um pároco espanhol

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Por Miriam Díez i Bosch

MADRI, sexta-feira, 6 de junho de 2008 (ZENIT.org).- O surgimento de movimentos e novas comunidades na vida paroquial nem sempre é fácil. Dela depende, contudo, a nova evangelização.

Assim pensa Dom Francisco Garvía, pároco de Nossa Senhora das Delícias (Madri) e autor da palestra «Paróquia, comunidades e movimentos», pronunciada na XVIII Semana de Teologia Pastoral do Instituto de Pastoral de Madri e agora recolhida em «A vueltas con la parroquia, balances y perspectivas», da editora Verbo Divino.

Para superar as dificuldades que existem na paróquia, nos movimentos, nas comunidades e na vida religiosa seria bom «favorecer o encontro em liberdade, respeito, generosidade e apreço mútuo», assim como «acolher e educar na diversidade», «promover a convivência» e «trabalhar em co-responsabilidade, favorecendo a participação de todos», sugere este sacerdote, que não esconde os problemas para que assim seja.

«Uma dificuldade é oferecida pelos próprios pastores: nosso próprio pensamento, sensibilidade ou linha pastoral podem impedir a presença na paróquia dos carismas que os diversos movimentos e as pequenas comunidades propõem», reconhece.

O Pe. Francisco Garvía fala do «excesso de protagonismo do próprio pastor, da comunidade, de um ou de vários movimentos na paróquia, que podem atrapalhar suas ações pastorais, ou que seus membros ocupem postos de responsabilidade e serviço das mesmas».

Outra dificuldade seria «a identificação plena da comunidade paroquial, de tal forma que só possa sentir-se membro co-responsável da paróquia aquele que pertença à pequena comunidade ou movimento».

«A convicção de uma comunidade de que só pertencendo a ela pode-se construir paróquia, convertendo-se ela no único modelo de comunidade paroquial possível no bairro onde estiver construída» é um risco, adverte o pároco madrileno.

Outra dificuldade na relação paróquia e movimento é a «desconfiança e o desconhecimento mútuos, que levam, em algumas ocasiões, à exclusão e privam os leigos de sua autonomia».

Contudo, existem mais possibilidades que dificuldades: «Sendo a paróquia o lugar mais significativo para manifestar a comunidade cristã, os grupos, movimentos e comunidades devem estar integrados na mesma, trabalhar a dimensão comunitária em sua formação, viver as celebrações centrais da vida cristã na comunidade paroquial e envolver-se em um clima de comunhão».

«Os movimentos e comunidades estão chamados a ser elemento integrador no conjunto da vida paroquial, por sua preocupação e seguimento das tarefas comuns da paróquia e por sua presença, animação e participação nos acontecimentos e celebrações-chave», anuncia.

«É de desejar que a paróquia seja um lugar aberto à presença de diferentes espiritualidades, as apresente e as promova» para que «grupos, movimentos e comunidades compartilhem entre si e com o resto da grande comunidade paroquial a oração e a celebração», conclui.