Relação necessária entre monoteísmo e violência? Os teólogos dizem que não

Publicado após cinco anos de estudo o novo documento da Comissão Teológica Internacional

Roma, (Zenit.org) Redacao | 481 visitas

“Deus Trindade, unidade dos homens: o monoteísmo cristão contra a violência”. Este é o título do novo documento da Comissão Teológica Internacional, presidida pelo prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, dom Gerhard L. Müller, publicado hoje após um estudo realizado durante cinco anos.

O texto, dividido em cinco capítulos, pretende aprofundar "certos aspectos da visão cristã sobre Deus, considerando, em particular, as teorias segundo as quais haveria uma relação necessária entre monoteísmo e violência". O tema já foi discutido em várias reuniões da subcomissão e durante as sessões plenárias da Comissão Teológica, nos anos de 2009 a 2013. O documento foi aprovado pela comissão "de forma específica" no dia 6 de dezembro de 2013 e submetido ao presidente Müller, que autorizou a sua publicação.

O objetivo do subcomitê que redigiu o texto foi "refutar essas teorias a partir da pergunta: como a teologia católica pode lidar com a opinião política e cultural que estabelece uma relação intrínseca entre monoteísmo e violência?".

De acordo com os teólogos, a resposta está principalmente “nas bases da fé cristã, que reconhece na incitação da violência em nome de Deus a maior corrupção da religião”, além de na opinião compartilhada por muitos contemporâneos, crentes e não crentes, de que "as guerras inter-religiosas, assim como a guerra contra a religião, são simplesmente insensatas".

Os estudiosos da comissão avaliaram a relação entre a "revelação de Deus e o humanismo não violento", refletindo, em particular, sobre as "páginas difíceis" da fé bíblica, em que "a revelação de Deus se envolve nas formas de violência entre os homens". A morte e ressurreição de Jesus, no entanto, é para eles a "chave da reconciliação entre os homens". A "revelação inscrita no evento de Jesus Cristo, que torna apreciável a manifestação do amor de Deus, permite neutralizar a justificativa religiosa da violência com base na verdade cristológica e trinitária de Deus".

O documento termina afirmando que "a revelação cristã purifica a religião, porque lhe restitui o significado fundamental pela experiência humana do sentido". Os teólogos lançam um convite, assim, a "sempre tratar conjuntamente o conteúdo teológico e o desenvolvimento histórico da revelação cristã de Deus".

A revista “La Civiltà Cattólica” publicará o documento em italiano na sua edição semanal do próximo dia 18 deste mês