Religiosa conhecida como Anjo da Transamazônica prestes a se tornar Beata

Papa Francisco reconhece virtudes heroicas de Irmã Serafina

Fortaleza, (Zenit.org) Maria Emilia Marega Pacheco | 619 visitas

O papa Francisco reconheceu nesta segunda-feira,27 de janeiro,as "virtudes heroicas" da religiosa brasileira irmã Serafina Cinque, primeiro passo para iniciar seu processo de beatificação.

Noeme Cinque é o nome de batismo de Irmã Serafina, conhecida como “Anjo da Transamazônica”. Seus pais Vicente Cinque e Sarah Cinque, nascidos em Salerno, sul da Itália, chegaram em Urucurituba, interior do estado do Amazonas, em 1906. Noeme é a segunda filha de 12 irmãos.

O pai se tornou um rico seringalista. Com a queda da borracha, dedicou-se ao plantio e envio de cacau para o sul do Brasil, e exterior, com muito sucesso.

A brasileira Noeme nasceu em 31 de janeiro de 1913, na cidade de Urucuritiba. Estudou no Instituto de Educação do Amazonas e tornou-se professora. Posteriormente, concluiu sua formação como enfermeira prática.

Conforme Dados sobre o processo para a canonização do "Anjo da Transamazônica", compilados pela vice-Postuladora, Irmã Marília Menezes, a jovem Noeme sentiu fortemente, aos 12 anos de idade, o apelo à vida religiosa, “que sempre lutou para seguir, apesar da forte e constante objeção do pai, que a desejava como grande mulher de negócios, como ele”.

O “Anjo da Transamazônica” era incansável em seu trabalho –lê-se no texto-. Foi catequista nas escolas e Paróquias de Manaus, engajada como leiga da Ação Católica; foi Presidente das Filhas de Maria e do Apostolado da Oração das Paróquias da Catedral e depois de N. S. Aparecida, em Manaus. Visitadora de encarcerados, e enfermeira domiciliar de doentes e idosos em suas casas e em Casas de repouso.

Quando as Irmãs norte-americanas Adoradoras do Sangue de Cristo foram a Manaus em 1946, para observar o campo de trabalho que lá iriam exercer – continua o texto- os Padres Redentoristas apresentaram Noeme, já com 33 anos, às Irmãs, e lhes explicaram o seu firme desejo de ser freira. Noeme viu tudo isso “como a Vontade de Deus e atendendo ao convite das Irmãs, foi para os Estados Unidos”, onde fez o Postulado, o Noviciado e a Profissão dos Votos Religiosos, recebendo o nome de Irmã Serafina.

Regressou a Manaus em 1948, onde trabalhou arduamente para a construção do primeiro Noviciado na Amazônia e primeiro Convento do Preciosíssimo Sangue.

Irmã Serafina trabalhou incansavelmente para reconhecer Escolas secundárias e de formação de Professores, em diversas localidades do Amazonas.

Não havendo médicos no interior da Amazônia, Ir. Serafina era considerada uma verdadeira médica, fazendo partos, cuidando de doenças várias, e ensinando a Medicina e alimentação alternativa para combater a fome e doenças, com uma dedicação inesgotável.

A fama de santidade era tanta, que Irmã Serafina recebeu o nome de "Anjo daTransamazônica", o que motivou o processo de pedido de beatificação dela.

“Em uma batalha feita de lágrimas, oração e fadigas – destaca o texto- não recusava ninguém que precisasse de ajuda”. Esmolava, com a ajuda de auxiliares, pela vizinhança da cidade de Altamira, indo de caminhão, “na poeira e na lama da Transamazônica, em um exercício constante de fé e humildade, chegando a recolher sobras de supermercados para fazer a sopa das gestantes e dos doentes”.

Irmã Serafina faleceu de câncer a 21 de outubro de 1988, em Manaus, e logo espalhou-se sua fama de santidade, com muitos casos de cura de doenças conseguidos pela sua intercessão.

Em julho de 2011, o Bispo eleito, Dom Marcos Piatek, CSSR, em sua Mensagem ao Povo de Deus da Prelazia de Coari recordou: “Como não se lembrar da Irmã Serafina (Noeme) Cinque “O Anjo da Transamazônica”, com a sua frase preferida: “Como Deus é bom!””.