Remédio para crise ecológica “não pode ser simplesmente aplicado na natureza”

Arcebispo brasileiro pede atenção à ecologia humana

| 1813 visitas

BELO HORIZONTE, sexta-feira, 8 de janeiro de 2010 (ZENIT.org).- “A crise ecológica que está em curso precisa ser enfrentada incluindo também como capítulo central tudo o que se refere à ecologia humana.” É o que afirma o arcebispo de Belo Horizonte (sudeste do Brasil), Dom Walmor Oliveira de Azevedo.

Em artigo enviado hoje a ZENIT, o arcebispo enfatiza que há um caráter “prevalentemente ético que reveste esta crise ecológica”.

Esta dimensão ética “é de responsabilidade de todos os cidadãos”. “Há uma questão de ordem moral que subjaz no quadro das relações entre as pessoas e a natureza, entre as criaturas e a criação”, afirma.

Dom Walmor recorda que a degradação ambiental atinge frontalmente a família humana inteira.

“Hoje, já se fala em refugiados ambientais: pessoas que, em razão da degradação do ambiente onde vivem, se veem obrigadas a abandoná-lo, perdendo os seus bens, suas tradições e os elementos constitutivos de sua identidade.”

A consideração, por isso –segundo o arcebispo–, “não pode se restringir ao tratamento e busca de soluções para o fenômeno das alterações climáticas, a desertificação, deterioração e perda de produtividade de vastas áreas agrícolas, poluição de rios, nascentes e lençóis de água, a perda da biodiversidade, o aumento das calamidades naturais, o desflorestamento das áreas equatoriais e tropicais”.

Ao recordar as indicações de Bento XVI em sua recente mensagem para o Dia Mundial da Paz (1 de janeiro), Dom Walmor assinala o quanto se torna “urgente o capítulo que trata da responsabilidade pessoal, social e política de cada cidadão”.

“Há um sério impacto no exercício dos direitos humanos, quando se pensa o desenvolvimento, sua concepção e efetivação, o direito à vida, à saúde e à alimentação.”

O arcebispo considera que “não se pode enfrentar, adequadamente, esta grave crise ecológica sem questionamentos cruciais quanto ao entendimento do desenvolvimento”.

“Também não se pode prescindir de uma aprofundada avaliação, para novos entendimentos e consequente conduta nova, sobre a visão do homem e das suas relações com os seus semelhantes e com a criação.”

Segundo Dom Walmor, o Papa “insiste na inadiável revisão profunda e clarividente do modelo de desenvolvimento e de todos os desdobramentos que o configuram, especialmente a economia”.

“Esta audácia de rever o conjunto do desenvolvimento praticado na sociedade mundial vai revelando a crise cultural e moral do homem contemporâneo. Os sintomas estão se manifestando por toda parte.”

O arcebispo afirma que os esforços “precisam se multiplicar, em programas grandes e miúdos, para que uma profunda renovação cultural ocorra”.

“O remédio para a crise ecológica não pode ser simplesmente aplicado na natureza. É preciso redescobrir aqueles valores que constituem o alicerce firme para construir um futuro melhor para todos”, destaca o prelado.

(Alexandre Ribeiro)