Repercussão da Conferência de Aparecida depende da acolhida de suas mensagens

Afirma o bispo de Jales (Brasil), Dom Demétrio Valentini

| 787 visitas

SÃO PAULO, quarta-feira, 25 de julho de 2007 (ZENIT.org).- Segundo um bispo brasileiro que foi delegado na Quinta Conferência Geral do Episcopado Latino-Americano e do Caribe, realizada em maio no Santuário de Aparecida (Brasil), a repercussão desse grande evento eclesial vai depender da acolhida de suas mensagens.



«Sabemos que os acontecimentos eclesiais testam sua validade nem tanto por sua repercussão no momento em que se realizam, mas pela recepção que suscitam depois», afirma Dom Demétrio Valentini, bispo de Jales (São Paulo), em artigo difundido pela CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil), essa terça-feira.

De acordo com o bispo, portanto, «Aparecida ainda não está garantida». «Sua repercussão vai depender de como vamos acolher suas mensagens, que nos chegam não só pelo texto, mas sobretudo pelo espírito com que foi realizada esta Conferência aos pés do Santuário de Maria».

Dom Demétrio lembra que, com a intenção de difundir as conclusões de Aparecida, a CNBB vai realizar em agosto um seminário. Também sua diocese, de Jales, aproveita a preparação de sua tradicional romaria (19 de agosto), para fazer dela um roteiro de acolhida de Aparecida, enfocando ao longo de três semanas diversos aspectos do rico legado da Quinta Conferência.

Segundo Dom Demétrio, o que «identifica os contornos verdadeiros» do documento de Aparecida --cuja tradução ao português esta a cargo da CNBB nestes momentos--, «é o clima de comunhão eclesial acontecido ao longo da Conferência, de abertura para o entendimento, de superação de preconceitos, de empenho pessoal, e de busca de maior autenticidade, ancorada no exemplo da Igreja Primitiva e na proposta do Evangelho».

Dom Demétrio destaca que «um aspecto muito importante» do documento de Aparecida «é perceber a serenidade e a convicção com que é citado» o Concílio Vaticano II, «para fundamentar as recomendações a propósito dos diversos assuntos contemplados pelo documento».

«Não se entende o empenho pastoral da Igreja da América Latina nas últimas décadas, sem o respaldo firme, e ainda indispensável, do Concílio», afirma o bispo.

«Mesmo sem fazer disto uma bandeira muito explícita, Aparecida traz em seu bojo uma clara reafirmação da validade do Concílio como referência ampla e segura para a caminhada da Igreja em nossos dias. Uma referência que precisa ser resgatada e reafirmada», destaca.