Repicam os sinos da Igreja armênia em Diyarbakir

Silêncio tinha durado 97 anos

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Rocio Lancho García

ROMA, quinta-feira, 8 de novembro de 2012 (ZENIT.org) - O campanário da igreja armênia de Diyarbakir, no Curdistão turco, foi reconstruído. Depois de 97 anos de silêncio, o sino voltou a ressoar neste domingo, 4 de novembro, de acordo com o site Hurriyet online. Quase um século transcorreu desde que o campanário foi derrubado porque fazia sombra aos minaretes das mesquitas da cidade.

A Igreja de Surp Diyarbakir Gragos (São Domingos) foi gravemente danificada em 1915, ano em que começou o genocídio dos armênios na Turquia, até hoje não reconhecido por Ankara.

No último domingo, celebrou-se o primeiro rito armênio na igreja restaurada após os quase cem anos. A cerimônia foi presidida pelo patriarca da Turquia, dom Aram Ateshyan, nascido justamente em Diyarbakir, e contou com a presença de centenas de fiéis da Turquia e do exterior.

A igreja foi construída em 1376 e é a maior igreja armênia do Oriente Médio. Ficou aberta como local de culto até a Primeira Guerra Mundial, quando os turcos acusaram os armênios de se aliarem à Rússia Imperial. Foi assim que começaram as perseguições. Embora não se conheça o número exato, calcula-se que morreram entre um milhão e meio e dois milhões de armênios. Os turcos continuam até o presente negando o genocídio.

A igreja de Surp Gragos foi usada como quartel na Segunda Guerra Mundial e como armazém no pós-guerra, até ficar abandonada e inutilizável. Esta reabilitação de um templo armênio para uso religioso é a primeira permitida pelo governo turco em 97 anos.

A restauração foi financiada por uma fundação armênia e pelas contribuições do município de Diyarbakir, agora governado pelo partido pró-curdo BDP (Partido Paz e Democracia).

Os trabalhos começaram em 2009 e a igreja foi reaberta ao culto em outubro de 2011, mas, por falta de fundos, o campanário ainda não tinha sido reconstruído.

Durante a cerimônia de inauguração da torre, o diretor da fundação, Ergun Ayik, afirmou: "Esta igreja foi testemunha e prova da numerosa população armênia desta cidade. Sua arquitetura se ergue como testemunho do quanto era avançada a civilização armênia. Nossos antepassados nos legaram esta igreja, mas, por razões conhecidas, não pudemos reclamar a propriedade deste patrimônio. A renovação marcou o início do processo de restituição desta propriedade".

 (Trad.ZENIT)