Representante vaticano premia diretor de cinema brasileiro Walter Salles

Entrega-lhe o prêmio “Robert Bresson” no Festival de Veneza

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VENEZA, sexta-feira, 4 de setembro de 2009 (ZENIT.org).- O arcebispo Gianfranco Ravasi, presidente do Conselho Pontifício para a Cultura, entregou hoje, dentro do Festival de Cinema de Veneza, o “Prêmio Robert Bressom” ao diretor brasileiro Walter Salles.

Dom Ravasi, segundo explicou a Rádio Vaticano, levou a voz da Igreja à mostra veneziana para promover o cinema de qualidade.

“Tenho certeza de que ainda é preciso percorrer um caminho, sobretudo em dois níveis – declarou o arcebispo. Por um lado, eu diria, sobre a produção cinematográfica de qualidade, que tantas vezes aparece aparentemente afastada dos horizontes de tipo religioso tradicional, quando, na verdade, por trás há sempre uma busca profunda.”

“Por outro lado – acrescentou –, eu diria que não é necessário condenar todo tipo de cinema de entretenimento, talvez mais nacional e popular, porque também este, se evita as degenerações, se evita cair na banalidade, na superficialidade, representa para o homem contemporâneo o que acontecia antes, quando o homem sentava na praça e via a vida da cidade.”

Ao receber o “Prêmio Bressom”, Walter Salles reconheceu que “supõe um estímulo para escrever e dirigir os próximos filmes, se chegarem, com o mesmo rigor”.

A entrega do prêmio é organizada pela fundação italiana Ente do Espetáculo (Ente dello spettacolo) anualmente, durante o Festival.

Dom Daria Edoardo Viganò, presidente da fundação, explicou que o prêmio “se entrega ao diretor que tenha dado um testemunho significativo, por sinceridade e intensidade, do difícil caminho em busca do significado espiritual da vida humana”.

“O critério na hora de outorgar este reconhecimento é a busca de valores humanos e espirituais contidos na obra global do diretor. O que o prêmio quer reconhecer é a densidade interpretativa de uma obra que abra a intensas reflexões sobre o humano.”

Walter Moreira Salles Jr. (Rio de Janeiro, 12 de abril de 1956) alcançou o reconhecimento internacional com o filme Central do Brasil (1998), que ganhou 55 prêmios, entre eles o Urso de Ouro no Festival de Berlim e duas nominações ao Oscar. No mesmo ano, ele produziu Cidade de Deus, dirigido por Fernando Meirelles.

Seu maior êxito de crítica e público foi Diários de motocicleta (2004), um filme biográfico sobre o jovem Che Guevara, que ganhou, entre outros prêmios, um Oscar pela canção Al Otro Lado del Río.

Em 2005, Salles realizou seu primeiro filme em Hollywood, Água Negra (Dark Water), uma adaptação do homônimo japonês de 2002.