República Centro-Africana: 18 mortos em ataque contra igreja de Bangui

Além das vítimas fatais, há pessoas sequestradas

Cidade do Vaticano, (Zenit.org) Redacao | 456 visitas

Depois de um período de relativa tranquilidade na República Centro-Africana, atentados violentos voltaram a ocorrer no último dia 28, à tarde. Um grupo de homens armados atacou com granadas a Igreja de Nossa Senhora de Fátima, na periferia de Bangui, capital do país. O atentado matou pelo menos 18 pessoas, entre as quais um sacerdote, o padre Paul-Emile Nzale, de 76 anos.

O ato terrorista foi cometido por pessoas que não falavam francês nem a língua local, sango, declarou dom Dieudonné Nzapalainga, arcebispo de Bangui, à agência Fides. Segundo a agência, ao menos 42 pessoas foram sequestradas e encontradas mais tarde. Esta notícia não foi confirmada por dom Nzapalainga.

"Os sobreviventes ao ataque me disseram que algumas pessoas foram sequestradas, mas as notícias sobre a situação delas são contraditórias: alguns afirmam que eles foram assassinados, outros que ainda estão vivos", comenta o arcebispo.

O atentado elevou a tensão na capital. "A cidade está completamente paralisada. Estava acontecendo uma manifestação para pedir a renúncia do governo provisório, mas os militares dispersaram as pessoas. A tensão está no ar e não sabemos o que pode acontecer", completa Nzapalainga.


O ataque contra a igreja de Nossa Senhora de Fátima foi cometido por jihadistas estrangeiros que mantêm agora como refém a população muçulmana do bairro "Km 5", de Bangui.

O padre centro-africano Mathieu Bondobo, atualmente em Roma, explica à Rádio Vaticano: "No começo nós insistimos muito em dizer que este conflito é político, não é inter-religioso. Mas o fato de atacarem uma paróquia desse jeito, de forma intencional, nos assusta porque é um indício forte de que o conflito se está se tornando cada vez mais inter-religioso".

O sacerdote observa, porém, que "isto nos ajuda também a dizer que nós, crentes, temos que abrir os olhos para não ser manipulados pelos políticos, porque basta muito pouco para cair na armadilha!".

Bondobo explica que diversas confissões religiosas sempre conviveram no país e que não seria o caso de começar agora uma guerra. Mesmo assim, "temos que estar preparados e vigilantes para evitar as armadilhas. Repito, com o que aconteceu, basta muito pouco para nascer de novo a vingança no coração das pessoas".

Ao falar das causas do ataque, o sacerdote admite que elas não são claras, mas explica que a paróquia atingida "fica numa área muito próxima de um bairro em que já havia boatos de rebeldes infiltrados". Sobre o trabalho da Igreja na cidade, o padre observa que "essa paróquia, como todas as outras da capital, virou um local de acolhimento. Todas as pessoas que não se sentem seguras encontram refúgio dentro da igreja. E este é o fato mais grave nesse atentado”.

Bondobo faz um apelo às instituições internacionais para abrirem os olhos: "Uma paróquia que trabalha pela paz, que acolhe muitas pessoas e que não tem proteção nenhuma não é uma coisa normal!".

Por outro lado, o sacerdote explica que a população de Bangui "não perdeu totalmente a esperança, mas existem, sim, muitas dúvidas humanas pairando no ar. É claro que o medo renasce no coração das pessoas. Eu acho que hoje é difícil sair nesses bairros ou até sair de casa. As pessoas com certeza estão com medo. Mas a esperança nós temos sempre, porque não temos alternativa: temos que chegar à paz".