«Respostas» do Papa sobre Igreja têm finalidade de evitar «relativismo eclesiológico»

Nota da CNBB comenta documento da Congregação para a Doutrina da Fé

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BRASÍLIA, segunda-feira, 16 de julho de 2007 (ZENIT.org).- A Comissão para o Ecumenismo da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) divulgou na quinta-feira passada nota assinada pelo presidente da Comissão, Dom José Alberto Moura, em que comenta o documento da Congregação vaticana para a Doutrina da Fé «Respostas a questões relativas a alguns aspectos da Doutrina sobre a Igreja».



Segundo a Comissão, as «Respostas de Bento XVI sobre a Igreja têm uma finalidade precisa: evitar o que o Papa considera "relativismo eclesiológico" do ponto de vista da teologia católica».

Com relação ao diálogo com as demais Igrejas e Comunidades cristãs, a Comissão ressaltou que três pontos.

O primeiro diz respeito à afirmação de que a Igreja de Cristo subsiste na Igreja Católica. Essa questão, de acordo com a Comissão para o Ecumenismo, «não nega a identidade cristã das outras Confissões, como insinuaram erroneamente algumas manchetes. Pois a Igreja Católica reconhece que as outras Igrejas e Comunidades expressam seu caráter cristão ao proclamar a redenção da humanidade em Cristo, segundo as Escrituras, e ao professar a fé na Santíssima Trindade, em cujo nome ministram o Batismo».

Para a Comissão, «nossa fé comum no Evangelho não deve ser prejudicada pelas divergências doutrinais ainda existentes. Ao contrário, é em nome do próprio Cristo que insistimos em dialogar e orar juntos "para que todos sejam um" (Jo 17,21)».

A Comissão da CNBB também cita em sua nota o documento «Temas escolhidos de eclesiologia», da Comissão Teológica Internacional, em que reconhecia os «autênticos valores eclesiais presentes nas outras Igrejas e comunidades cristãs».

Entre esses valores, «a doutrina católica aprecia: o Batismo; as virtudes teologais; o culto de louvor e adoração a Deus; a contemplação dos mistérios de Cristo pela meditação bíblica; os dons interiores do Espírito Santo; as obras de caridade e o testemunho da justiça», afirma a nota.

Para Dom José Alberto Moura, na vivência desses valores verificamos que “a vida desses irmãos (evangélicos) é alimentada pela fé em Cristo, e fortalecida pela graça batismal e pela escuta da Palavra de Deus” (Unitatis redintegratio 23). «Além disso, muitos católicos, ortodoxos, anglicanos e evangélicos se unem pelo martírio e pela colaboração fraterna para o bem da humanidade».

Concluindo a nota, Dom José Alberto Moura reafirma a estima da CNBB aos irmãos e irmãs ortodoxos, anglicanos, reformados e evangélicos e se diz consciente de que «aquilo que nos une é muito maior do que quanto ainda nos separa».

Para os católicos, Dom José Alberto Moura também finaliza com um chamado: «Aos irmãos e irmãs católicos, incentivamos que estudem os pronunciamentos da Santa Sé de modo integral, para formar agentes qualificados de diálogo ecumênico nas dioceses, pastorais e nos movimentos. A uns e outros convidamos a uma renovada intercessão pela reconciliação dos cristãos no único Corpo de Cristo, "para que o mundo creia" (Jo 17,21)», conclui.