Restaurada e reaberta à visitação a prisão onde estiveram São Pedro e São Paulo

Aguardaram pelo martírio no Cárcere Mamertino

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Por Elizabeth Lev

ROMA, segunda-feira, 5 de julho de 2010 (ZENIT.org) - Após um ano de escavações, o Cárcere Mamertino, prisão onde foram mantidos São Pedro e São Paulo enquanto aguardavam pelo martírio, foi restaurado e novamente aberto à visitação.

A prisão se encontra ao lado do antigo Fórum Romano, numa área escavada na rocha do Capitólio que abrigava o Senado. Acredita-se que o Cárcere Mamertino ou Tuliano, como é também conhecido, tenha sido construído pelo rei romano Sérvio Túlio no século VI a.C.; consiste em duas celas, posicionadas uma sobre a outra. A cela inferior, um espaço pequeno e úmido, era acessível apenas através de um buraco no pavimento da cela superior, e foi usada durante os períodos da República e do Império como prisão e também como local para execuções.

O chefe gaulês Vercingetorix foi estrangulado nesta cela, após o triunfo de Júlio César; Jugurta, rei dos Numídios, foi lá abandonado para que morresse de fome.

Escrevendo no século I a.C., a autor romano Sallustio descreveu a prisão como "profunda 12 pés, fechada por paredes e pedras. Seu aspecto é horrivelmente repugnante, pelo abandono, escuridão e mau cheiro".

Um século após Sallustio fazer sua descrição do Cárcere Mamertino, São Pedro e São Paulo vieram a ocupar a cela inferior, nos últimos dias antes de seu martírio, executado por ordem do imperador Nero.

A presença dos dois apóstolos transformou aquele lugar de desespero num espaço de esperança, oração e catequese para seus carcereiros, Processo e Martiniano. Quando os dois soldados romanos pediram para ser batizados, não havia água no local; então São Pedro golpeou a rocha do pavimento com seu bastão, que imediatamente verteu água, segundo a tradição.

Os carcereiros ajudaram Pedro a escapar da prisão, mas este, após encontrar Cristo na Via Apia, retornou à prisão e aceitou a morte voluntariamente; foi crucificado no circo de Nero, na colina do Vaticano.

Na semana passada, a Superintendência Romana de Arqueologia anunciou que as escavações haviam revelado vestígios de afrescos que documentavam a transformação do local em uma igreja, juntamente com outras estruturas do Fórum. As escavações puderam evidenciar as diversas fases das obras, que possibilitaram "uma transformação realmente rápida" da antiga caverna em um centro de devoção petrina.

Hoje a prisão original encontra-se sob a igreja de São José Artigiano, construída no século XVII; o local, porém, pertence ao Vicariato de Roma e deve ser reaberta à visitação ainda no mês de julho.

Os peregrinos poderão prestar sua homenagem a São Pedro e São Paulo, que, em um Fórum repleto de imagens dedicadas a homens transformados em deuses, tiveram coragem para anunciar o Evangelho do Deus que se fez homem.