Resumo da expressão oratória - Parte II

Coluna do Pe. Antonio Rivero, L.C., Doutor e professor de Teologia e Oratória no seminário Mater Ecclesiae de São Paulo

São Paulo, (Zenit.org) Pe. Antonio Rivero, L.C. | 834 visitas

Vamos terminar hoje o resumo sobre a expressão oratória.

Vimos na semana passada a expressão oral, o sentimento e a voz. Hoje veremos o ritmo, o volume, o olhar e o rosto, os gestos, a memória e o uso do microfone.

Ritmo:

Nem muito lento, nem muito precipitado: alternar. Boa dicção e vocalização, especialmente no final das palavras. Ressaltar as palavras-chave e matizar as ideias.

Volume:

Aumentar e baixar o volume de voz conforme o discurso e o local exigirem. Acomodar-se ao local e ao microfone. Todos devem escutar perfeitamente.

O olhar e o rosto:

“Omnia in oculis sita sunt”, dizia Cícero: toda a força oratória do rosto está nos olhos. Temos que domesticar com o olhar aquela hidra de 100 cabeças que é o auditório. Ver todos. Olhar para o auditório sem desviar, sem olhar para o teto ou para o chão. Ficar atentos às reações positivas ou negativas dos ouvintes. Não fazer cara de assustado, nem cara solene, nem irritada, nem ridícula, nem tensa, nem abrupta, nem maquiavélica, nem hamletiana, nem mefistofélica: basta manter a própria cara de todos os dias, cordial, familiar, simples, com um sorriso natural. A minha cara é a tela em que o auditório lê os meus sentimentos ao vivo.

Gestos:

Ficar seguro de si, sem nervosismo, para dominar o auditório. Nem rígido, nem abusando de gestos de mãos e de rosto. Naturalidade e elegância: gestos harmoniosos, não excessivos. Evitar gestos rápidos demais ou lentos demais. O gesto deverá matizar a ideia, torná-la plástica. Não mexer demais o corpo ao falar. Nada de gestos de nadador, jogando os braços sem parar. Nem de boxeador, vulcânicos, dinamite pura. Nem de ginasta, angulosos, geométricos. Nem de Charles Chaplin, nervosos, rápidos, supersônicos. Evitar as caretas, os tiques, a língua nos lábios, as piscadas, coçar a cabeça, esfregar as mãos, estalar os dedos, ajeitar os óculos, consultar o relógio, limpar o suor.

Memória:

Memorizar o discurso perfeitamente, se possível, ou pelo menos o esquema das ideias. Quintiliano chamou a memória de “tesouro da oratória” (Inst. Orat. XI, 2, 1). Ensaiar várias vezes em volume alto antes de pronunciá-lo ajuda a retê-lo na memória. Mas é preciso fazer com que o auditório não note que o discurso foi memorizado, para não parecermos rígidos. É preciso ser espontâneos. E não ler, porque a leitura servil deixa o auditório mais facilmente desinteressado.

Uso do microfone:

A pior homilia é aquela que não dá para ouvir. Antes da missa ou de qualquer palestra, sempre teste o microfone e faça os ajustes necessários para a sua voz. Se ele funcionar mal, não o use, porque é pior. Se funcionar bem, mantenha-o à altura da boca, para que a voz saia direta e as pessoas consigam ver o seu rosto. Fale claro e forte, num tom mais elevado que de costume caso a sua voz seja de barítono ou baixa. Não sopre no microfone, e muito menos espirre.

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