Retirada das excomunhões: «alegria em toda Igreja»

Porta-voz vaticano comenta gesto do Papa com os quatro bispos lefebvristas

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CIDADE DO VATICANO, segunda-feira, 26 de janeiro de 2009 (ZENIT.org).- O anúncio da decisão de Bento XVI de retirar a excomunhão de quatro bispos ordenados por Dom Marcel Lefebvre sem mandato do Papa em 1988 foi a melhor notícia da Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos, que concluiu nesse domingo.

Foi o que afirmou o padre Federico Lombardi S.J., diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé, ao comentar o decreto publicado no sábado pela Congregação para os Bispos, com o qual os prelados voltam à plena comunhão eclesial.

Para o porta-voz vaticano, trata-se de «uma bela notícia, que desejamos que seja um manancial de alegria em toda a Igreja».

«A retirada da excomunhão dos quatro bispos da Fraternidade Sacerdotal São Pio X é um passo fundamental para alcançar a reconciliação definitiva com o movimento iniciado e guiado por Dom Marcel Lefebvre», reconhece o padre Lombardi.

Para compreender o significado deste passo, o porta-voz recorda as palavras de Bento XVI em sua carta de introdução ao motu propio Summorum Pontificum, de 7 de julho de 2007, quando escrevia que «olhando para o passado, para as divisões que no decurso dos séculos dilaceraram o Corpo de Cristo, tem-se continuamente a impressão de que, em momentos críticos quando a divisão estava a nascer, não fora feito o suficiente por parte dos responsáveis da Igreja para manter ou reconquistar a reconciliação e a unidade».

Por isso, escrevia o Papa, temos a obrigação de «realizar todos os esforços para que todos aqueles que nutrem verdadeiramente o desejo da unidade tenham possibilidades de permanecer nesta unidade ou de encontrá-la de novo». «Abramos generosamente o nosso coração...».

O padre Lombardi recorda que o cardeal Joseph Ratzinger, quando era prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, acompanhou em primeira pessoa os contatos com Dom Lefebvre, em 1988, que ao final se opôs a um acordo com a Santa Sé e ordenou os bispos, desvencilhando-se da unidade eclesial.

O cardeal Ratzinger, recorda Lombardi, «já naquele tempo tinha buscado fazer todo o possível para manter a unidade da Igreja».

A Comissão Ecclesia Dei, constituída por João Paulo II naquela circunstância, «trabalhou com paciência para conservar abertas as vias do diálogo, e diversas comunidades de diferentes maneiras unidas ao movimento lefebvrista puderam já, no curso dos anos, voltar a recuperar a plena comunhão com a Igreja Católica».

«A Fraternidade Sacerdotal São Pio X, com quatro bispos, continuava sendo, em todo caso, a comunidade mais importante com a qual era necessário restabelecer a comunhão», recorda o padre Lombardi.

«Bento XVI manifestou sem dúvida alguma seu compromisso por fazer todo o possível para alcançar este objetivo».

Este Papa, segue dizendo o padre Lombardi, promoveu este objetivo não só com a publicação do motu proprio Summorum Pontificum, que facilita a celebração da missa seguindo o rito anterior ao Concílio Vaticano II.

Como prefeito, firmou o documento da Congregação para a Doutrina da Fé que esclarecia alguns pontos discutidos da doutrina eclesiológica do Concílio Vaticano II, e como Papa pronunciou discursos históricos que mostraram «a correta interpretação do Concílio, em continuidade com a tradição», e não como uma ruptura.

«Tudo isso criou naturalmente um clima favorável, no que os bispos da Fraternidade São Pio X pediram a retirada da excomunhão atestando explicitamente sua vontade de estar na Igreja Católica romana e de crer firmemente no primado de Pedro», constata o padre Lombardi.

«É bonito que a retirada da excomunhão aconteça no contexto do aniversário dos 50 anos do anúncio do Concílio Vaticano II, de maneira que este evento fundamental não possa ser jamais considerado como um motivo de tensão, mas de comunhão», segue dizendo o sacerdote.

«O texto do decreto mostra que se está no caminho para a plena comunhão, da qual o Santo Padre deseja a solícita realização. Por exemplo, no decreto publicado não se definem aspectos como o estatuto da Fraternidade e dos sacerdotes que pertencem a ela», constata.

«Mas a oração da Igreja está unida à do Papa para que se superem todas as dificuldades o quanto antes e se possa falar de comunhão em sentido pleno e sem incerteza alguma», conclui.