Retiro espiritual mensal

Como melhorar a pregação sagrada: coluna do Pe. Antonio Rivero, L.C., Doutor e professor de Teologia e Oratória no seminário Mater Ecclesiae de São Paulo

São Paulo, (Zenit.org) Pe. Antonio Rivero, L.C. | 2140 visitas

Pregar é uma arte: por isso, temos que aprender a pregar. Poeta se nasce, mas orador não. O orador se faz.

Como é triste ouvir prédicas, homilias e palestras sem ordem, sem estrutura, sem lógica, sem unção, sem entusiasmo, sem concreção! É um verdadeiro martírio! A mensagem de Deus fica tão minguada, tão maltratada!

Em compensação, que alegria quando ouvimos um bom sermão, uma excelente conferência ou homilia! O tempo nem passa e ficaríamos escutando aquela pessoa durante horas! Essa pessoa é um aqueduto de Deus-Palavra. Nós temos que colocar toda a nossa pessoa em cada pregação. O orador Cícero diria: “A ação deve ser moderada com o movimento do corpo, com o gesto, com o rosto e com a voz” (Sobre o orador 1,5).

Hoje falaremos de como preparar e dar um retiro espiritual de silêncio.

RETIRO ESPIRITUAL MENSAL

Primeiro, comecemos pela importância do retiro. A Igreja sempre nos aconselhou retirar-nos uma vez por mês, durante meio dia ou durante um dia inteiro, para interromper o ritmo do trabalho apostólico, ministerial, catequístico, familiar ou professional e nos dedicar à oração, à escuta de Deus e ao exame da própria vida, com o objetivo de crescer na nossa transformação em Cristo, conseguir a santidade a que Deus nos chama e sacudir o pó da estrada. Tudo isto em clima de gratuidade e de liberdade, sem nos sentirmos obrigados nem coagidos. Vamos ao retiro porque queremos, não porque nos mandaram nem porque está na programação da comunidade ou do grupo. Queremos alimentar a chama do nosso fervor espiritual. Quem entra em retiro receberá a visita do Inesperado, seja como fogo, como bálsamo, como silêncio, como noite escura ou como luz resplandecente.

Segundo, esclareçamos o que é e o que não é um retiro. O retiro não é um mero encontro fraterno. Não é um curso de psicologia nem um dia de estudo. Retiro é retiro. É um afastar-se, um recolher-se, é fazer uma viagem até o fundo do nosso coração, é um deixar de lado as coisas cotidianas, subir ao Tabor da oração, adentrar no mistério de Deus e lhe perguntar: “Senhor, o que queres de mim? Como está a minha fidelidade a ti?”.

Terceiro, expliquemos como seria a organização espiritual do retiro. Tem que ser abordado um tema espiritual único: (1) Tema aprofundado intimamente numa meditação com um texto bíblico, seja em forma de Lectio Divina, seja em forma de meditação mental ou de contemplação, durante 45 minutos ou uma hora; meditação dirigida por um sacerdote, pessoa consagrada ou leigo preparado, que esteja à frente do grupo. (2) Segue-se um momento de deserto, em que cada um medita a sós sobre o texto explicado, em silêncio com Deus, seja caminhando, seja sentado no jardim ou na capela. (3) Também é proveitosa uma palestra mais explicativa ou exortativa, que aprofunde o tema do retiro. (4) Deve haver um momento de reflexão pessoal, para o qual o diretor do retiro oferecerá perguntas simples sobre o tema, diante do Santíssimo exposto. (5) Não deveria faltar num retiro espiritual o momento da confissão sacramental. (6) E o retiro deveria terminar com a celebração da Eucaristia. Há quem também sugira, depois do retiro e antes de voltar às ocupações cotidianas, um momento de convivência fraterna e espiritual para se partilhar o que foi tratado no retiro.

Ofereço, para terminar, um modelo esquemático do que poderia ser um retiro.

Tema: Por ser batizados, somos chamados à santidade.

Meditação: texto bíblico “Sede santos porque Eu sou santo” (1 Pedro 1, 16), desenvolvido em três pontos: (1) Deus é santo e é a fonte de santidade. (2) Ser de Deus e para Deus exige de mim a santidade de vida, que consiste em me deixar santificar por Deus na oração e lutar contra o pecado em todas as suas formas. (3) Muitos tentam viver já aqui a santidade praticando as bem-aventuranças, espelho da santidade, e estão derramando o perfume da sua santidade ao seu redor: por que eu não?

Palestra: procura aprofundar a meditação. Posso desenvolvê-la em vários pontos: (1) Quem me pede ser santo: Deus, meu Senhor; (2) Por que Ele me pede ser santo: porque eu sou batizado; (3) Para que Ele me pede ser santo: para transmitir a sua imagem com clareza e chegar ao céu; (4) Onde Ele me pede ser santo: no meio das minhas tarefas diárias; (5) Que meios eu tenho para ser santo: oração, sacramentos, sacrifício, devoção a Maria…(6) Que frutos eu colho com a minha santidade: transformação interior de todo o meu ser e transformação do meu ambiente, como levadura e fermento na massa.

Perguntas para a reflexão em silêncio diante do Cristo Sacramentado: (1) Eu me deixo santificar por Deus ou crio obstáculos? Quais?; (2) O que me impressiona dos santos que já estão com Deus no céu?; (3) O que aconteceria na minha casa, no meu trabalho, no meu ambiente, na paróquia… se eu me decidisse a ser santo de verdade?

O artigo anterior pode ser lido clicando aqui

Padre Antonio Rivero tem licenciatura e doutorado em Teologia Espiritual pelo Ateneu Pontifício Regina Apostolorum em Roma. Atualmente exerce seu ministério sacerdotal como professor de teologia e oratória, e diretor espiritual no Seminário Maria Mater Ecclesiae do Brasil.

Caso você queira se comunicar diretamente com o Pe. Antonio Rivero escreva para arivero@legionaries.org  e envie as suas dúvidas e comentários.