Rocco Buttiglione: “As raízes da Europa não podem ser inventadas”

O filósofo e político no encerramento do Congresso Internacional de Filosofia de Granada

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GRANADA, terça-feira, 7 de julho de 2009 (ZENIT.org).- O Congresso Internacional de Filosofia, que desde 30 de junho aconteceu em Granada, Espanha, dedicado às raízes da Europa, encerrou seus trabalhos com uma intervenção do filósofo e senador italiano Rocco Buttiglione, na qual afirmou que “as raízes” da Europa “são as que temos e não podem ser inventadas”, referindo-se ao fundamento cristão do continente.

Buttiglione encerrou o encontro, junto ao arcebispo de Granada Javier Martínez, o reitor da Academia Internacional de Filosofia, Josef Seifert, e o diretor do Instituto de Filosofia Edith Stein, Marcelo López, informa a arquidiocese de Granada. 

O filósofo e político sublinhou que “precisamos de raízes, e as raízes são as que temos e não podem ser inventadas”, ao mesmo tempo que assinalou as raízes cristãs “como algo muito concreto”, já que “quando falamos de raiz cristã não é apenas a universidade”, mas “também através do amor fiel dos pais, de um povo, de um caminho histórico, de uma forma de olhar a mulher e o homem, da literatura...”. 

Neste sentido, o filósofo italiano indicou que “tudo isto é raiz e forma uma auto-consciência”. “A maneira em que penso sobre mim mesmo não é indiferente da realidade”, assinalou. 

Buttliglione definiu o conceito de raiz como “uma experiência humana necessária que eu a faço minha”. “Devemos tomar a hipótese mais bela, e esta é a que mais responde às exigências e esperanças fundamentais do coração do homem e apostar por esta possibilidade: que o desejo fundamental do coração do homem tenha uma resposta adequada. Esta é a raiz”. 

Neste sentido, “cada cultura tem de enfrentar esse problema (as raízes e as exigências fundamentais do coração humano); tem de aceitar essa possibilidade ou rejeitá-la”, indicou o senador italiano e ex-comissário da União Européia. 

Momentos antes do encerramento, o prefeito de Granada, José Torres Hurtado, disse algumas palavras para agradecer o Instituto de Filosofia Edith Stein e a Academia Internacional de Filosofia que escolheram Granada como sede deste importante encontro internacional.

Por sua parte, o arcebispo – que interveio na sessão da sexta-feira com uma conferência intitulada Reflexões a partir da experiência pastoral – recordou que o tema de reflexão deste Congresso foi “a crise da humanidade europeia e como podemos caminhar para um futuro mais humano”, direção na qual este Congresso quis oferecer seu grão de areia. 

Finalmente, o diretor do Instituto de Filosofia Edith Stein Marcelo López destacou a positividade deste Congresso, pelo “nível de palestras, que foi frutífero e a amizade que gerou entre os que estão aqui”. 

Com este Congresso, “muitos pensadores que trabalham em diferentes cidades do mundo se puseram em contato para trabalhar em uma linha positiva, para que a Igreja intervenha na cultura moderna”. 

Instituto de Filosofia Edith Stein, da Arquidiocese de Granada, e a Academia Internacional de Filosofia organizaram este Congresso, que contou com a presença de palestrantes e participantes procedentes de todo o mundo, desde a Europa até a América Latina. 

O Congresso teve como lema “As raízes da Europa” e aconteceu por ocasião do 150º aniversário do nascimento do filósofo Edmund Husserl, que em seu livro “A crise das ciências europeias” – que completa 55 anos de sua publicação na íntegra – vislumbrava “uma espécie de esgotamento de tipo filosófico, que obriga a buscar caminhos novos, de acesso à realidade”, explicou nestas jornadas Dom Javier Martínez.

Neste sentido, o objetivo do Congresso foi abrir um diálogo sincero sobre a unidade europeia e refletir sobre as raízes culturais, morais e espirituais da Europa.