Roma recorda o «Padre Toucinho», no quinto aniversário de seu falecimento

Um salão de atos da Universidade Pontifícia da Santa Cruz, dedicado ao Pe. Werenfried van Straaten

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ROMA, sexta-feira, 1º de fevereiro de 2008 (ZENIT.org).- Em 31 de fevereiro, coincidindo com o quinto aniversário da morte do fundador da associação católica internacional Ajuda à Igreja que Sofre (AIS), a Universidade Pontifícia da Santa Cruz de Roma deu a uma de suas salas o nome do padre Werenfried van Straaten.

O ato começou com uma Santa Missa na Basílica de São Apolinário. Em sua homilia, o reitor da Universidade, monsenhor Mariano Fazio, assinalou que «hoje, mais do que nunca, Deus e a Igreja precisam de testemunhas fidedignas do amor de Cristo no mundo», acrescentando que o padre Werenfried havia sido um deles.

Como presidente dos reitores de todas as universidades pontifícias de Roma, Mons. Fazio agradeceu, em nome destes centros, por tudo o que Ajuda à Igreja que Sofre fez e segue fazendo pelos estudantes mediante a concessão de bolsas.

No ato posterior, o presidente internacional de AIS, Hans-Peter Röthlin, afirmou que a Associação presta estas ajudas «de muito bom grado», pois esta universidade em particular «se caracteriza de forma especial por oferecer uma assistência integral aos estudantes», especificando que, sobretudo aos estudantes estrangeiros não os abandona à sua sorte, mas lhes acompanha e apóia amplamente durante seus estudos.

Em seu discurso, Rothlin qualificou a dedicação desta ao Pe. Werenfried de «excelente e digna decisão», pela qual felicitava «com o coração cheio de gratidão» à Universidade.

Em sua opinião, este gesto «é uma boa resposta a tudo o que o terrorismo, a guerra e as agressões destroem diariamente», e a contribuição da Universidade da Santa Cruz «é o melhor antídoto», para isso.

Também recordou como o padre Werenfried lutou durante toda sua vida pela paz e a reconciliação, «vencendo, passo a passo, o ódio e transformando-o em amor». Desta forma, prosseguiu, o Pe. Werenfried acabou sendo «um dos pais espirituais da Europa unida», pois suas «campanhas contra o ódio» promoveram um «desenvolvimento transcendente para a história mundial» e supuseram a «preparação imprescindível para tudo o que mais tarde puderam fazer no âmbito da política por uma Europa unida os homens de Estado Adenauer, Schuman e de Gaspari».

O presidente internacional da AIS também afirmou neste contexto o compromisso ecumênico do padre Werenfried, que se reuniu há 15 anos com o Patriarca russo-ortodoxo Aléxis II em Moscou, onde, por encargo do Papa João Paulo II, lhe prometeu sua ajuda, circunstância que propiciou «relações sumamente amistosas» entre AIS e seus interlocutores da Igreja russo-ortodoxa. Segundo esclareceu Röthlin, as atividades da associação neste âmbito «contam com a aprovação e reconhecimento tanto da Santa Sé como do Patriarcado de Moscou», acrescentando que esta questão sempre se revestiu de muita importância no espírito da reconciliação.

Por sua vez, o presidente da Seção italiana de AIS, Mons. Sante Babolin, disse em seu discurso que a dedicação da sala ao padre Werenfried significa que este «podia tomar a palavra», e que, em sua opinião, o que diria é que a Teologia deve, para não converter-se em ideologia, partir da reflexão sobre uma experiência de fé. Pois, como acrescentou, a teologia do padre Werenfried não se baseava «em uma idéia do amor, mas na experiência do amor».

O monge premonstratense holandês Pe. Werenfried van Straaten, conhecido mundialmente pelo carinhoso apelido de «Padre Toucinho» faleceu em 31 de janeiro de 2003, quando faltavam duas semanas para completar 90 anos.

O padre Werenfried foi qualificado como «gigante da caridade» e «o maior mendigo da história da Igreja». A associação Ajuda à Igreja que Sofre,fundada por ele em 1947, apóia projetos pastorais em quase 140 países de todo o mundo.