Ruanda: A reconciliação é um dom que Cristo pode dar, diz o Papa

O papa Francisco recebeu nesta quinta-feira no Vaticano os bispos da Conferência Episcopal de Ruanda, que estão em Roma em visita ad limina.

Roma, (Zenit.org) Sergio Mora | 330 visitas

O papa Francisco recebeu nesta quinta-feira no Vaticano os bispos da Conferência Episcopal de Ruanda, que estão em Roma em ‘visita ad limina’.

O Santo Padre, depois de ter recordado que "Ruanda comemorara em poucos dias o vigésimo aniversário do começo do terrível genocídio que causou tanto sofrimento e as feridas que ainda estão longe de curar-se”, indicou que se une “com todo o meu coração em luto e lhes asseguro a minha oração por vocês, suas comunidades muitas vezes amarguradas, por todas as vítimas e seus familiares, por todos os ruandeses, independentemente da sua religião, opção étnica ou política”.

O Papa convidou à reconciliação e a cura de tantas feridas que sem dúvida continuam sendo a prioridade da Igreja em Ruanda. “Encorajo-os a perseverar neste compromisso, e lutar por muitas iniciativas”, disse.

Neste país localizado na África Central, com cerca de 12 milhões de habitantes, depois da dominação belga que permitia a educação somente à etnia tutsi, subiu ao poder o rei Mutara II da etnia hutu e que reinou por quase trinta anos. Depois da sua morte em 1959, os tutsi recuperaram o poder. Em 1961, com o apoio dos colonos belgas, a maioria hutu voltou ao poder e declarou a independência e aboliu a monarquia tutsi. O ódio entre as etnias foi crescendo e com a sucessão dos diversos eventos começou uma escalada de violência que, em 1994 causou o genocídio mais sangrento da história em proporção à sua duração. Em só 100 dias cometeram mais de 800 mil assassinatos e houve deslocamentos, como de cerca de dois milhões de hutus para os países vizinhos.

Um período da reconciliação começou por volta do ano 2000 com a criação do Tribunal Penal Internacional para Ruanda (TPIR) e a reintrodução de Gacaca, uma justiça tradicional popular de aldeia.

O Papa indicou aos bispos da Ruanda a necessidade do “perdão dos pecados e da reconciliação verdadeira, que pode parecer impossível aos olhos humanos, depois de tanto sofrimento”. Entretanto, destacou que a reconciliação “é um dom possível que Cristo pode dar, através da fe e a oração, mesmo se o caminho for cumprido e precise de diálogo recíproco”.

Lembrou que, portanto, a Igreja tem o seu lugar na reconstrução da sociedade ruandesa reconciliada "com toda a força de sua fé e da esperança cristã" e que, no contexto da reconciliação nacional é também necessário reforçar as relações de confiança entre a Igreja e o Estado, por meio de um diálogo genuíno e construtivo com as autoridades para reconstruir a sociedade "sobre os valores da dignidade humana, da justiça e da paz".

O Papa concluiu agradecendo "o trabalho perseverante dos institutos religiosos que, com tantas pessoas de boa vontade, estão dedicados a todas aquelas vítimas da guerra, na alma ou no corpo, especialmente das viúvas e dos órfãos, e também dos anciãos, os enfermos e as crianças”.

Porque "a vida religiosa por meio da oferta de adoração e oração, torna credível o testemunho que a Igreja dá de Cristo ressuscitado e do seu amor para todas as pessoas, especialmente os mais pobres”. E convidou a dirigir-se a ‘Nossa Senhora das Dores’ para que conceda o dom da reconciliação e da paz.

[Trad.TS]