Ruanda: condenada a oito anos de prisão a líder da oposição, Victoire Ingabire

Acusada de terrorismo e de conspiração contra o Estado

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Nieves San Martín

KIGALI, Ruanda, segunda-feira, 5 de novembro de 2012 (ZENIT.org) - Foi condenada a oito anos de prisão Victoire Ingabire, opositora do regime de Ruanda, acusada de conspiração contra o Estado, terrorismo e negação do genocídio de 1994.

Conforme a edição deste 1º de novembro do diário vaticano L'Osservatore Romano, o tribunal de Kigali publicou em 30 de outubro, após vários adiamentos, a sentença contra Ingabire, absolvendo-a, por outro lado, da acusação de propagação da ideologia de negação do genocídio.

A promotoria tinha pedido a prisão perpétua. "Esperávamos uma condenação. Sabemos que a justiça neste país não é independente. A justiça [de Ruanda] obedece a ordens precisas do governo", disse Boniface Twagirimana, que comanda interinamente o partido de Ingabire, Forças Democráticas Unificadas (FDU-Inkingi), em declarações à Misna, agência internacional das congregações missionárias.

Ainda de acordo com Twagirimana, “é evidente que oito anos são quase uma vitória, diante do risco de prisão perpétua. Mas o que nos resta é a nossa tristeza, porque ela foi condenada sem provas".

Presa desde outubro de 2010, assim que retornou à pátria depois de 16 anos de exílio na Holanda, a líder de FDU-Inkingi apresentou um recurso, não admitido, em que rebatia a validade do processo contra ela, denunciando especificamente a duvidosa constitucionalidade da lei sobre a ideologia do genocídio. Ingabire fugiu de Ruanda poucos meses antes do genocídio iniciado em abril de 1994 contra os tutsis e os hutus moderados, perpetrado pelos extremistas hutus.

Victoire Ingabire, de 43 anos, é mãe de três filhos. Seu crime? Ter-se atrevido a desafiar o poder do general presidente Paul Kagame.

Victoire Ingabire podia ter continuado a viver em paz na Holanda, onde cursou os estudos superiores e tinha uma carreira brilhante garantida. Mas ela não se esquecia do seu país e da situação política ruandesa. Integrou-se à oposição contra a ditadura. Em abril de 2006, foi eleita presidente de uma plataforma que agrupou os movimentos de oposição ao regime de Kagame, o FDU. Regressou à capital Kigali em janeiro de 2010 e logo passou a ser incessantemente perseguida pelo regime, que não descansou até levá-la para a cadeia.

O governo ilegítimo de Kagame foi criticado repetidas vezes pela Igreja local por cometer fraudes nas eleições e por lançar uma campanha de desprestígio contra Ingabire, acusando-a de negacionismo do genocídio e de segregacionismo. Ingabire não se deixou intimidar e confirmou o seu propósito de concorrer às eleições presidenciais de agosto de 2010.

Humilhada na prisão, vestida com o pijama rosa dos presos daquele país pobre e oprimido, Ingabire não foi esquecida pelos seus partidários nem pelos seus amigos.

(Trad.ZENIT)