Sacerdote e missionário, com 60 anos de idade e cheio de entusiamo pela missão

Entrevista exclusiva com Pe. Luigi De Liberali, missionário na Angola

Brasília, (Zenit.org) Thácio Siqueira | 1183 visitas

“Aqui e lá missionários, juntos!” é o lema do Pe. Luigi de Liberali, salesiano, italiano, atualmente missionário na Angola desde o ano 2009, como também, durante 18 anos missionário no Nordeste brasileiro, do 1991 ao 2009.

Ontem, dia 8 de Janeiro, em uma conversa informal com ZENIT, Pe. Luigi quis compartilhar com os nossos leitores como foi a virada de ano de um sacerdote missionário, com 60 anos de idade e cheio de entusiasmo pela missão.

Para maiores contatos: padreluiz@gmail.com

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ZENIT: Padre, como está o seu tempo? Posso fazer-lhe umas perguntinhas?

Pe. Luigi: Estou sempre viajando nas comunidades rurais, mas vou encontrar um tempinho para responder. Aliás, é nossa missão também esta. Fale-me. De fato, muita coisa seria bonito fazer, mas vejo que o tempo é curto demais!

ZENIT: Como foi a sua passagem de ano como missionário?

Pe. Luigi: Ontem cheguei de una viagem de 1.600 km nesta região, dentro da nossa paróquia. Um total de 16 galões de diésel. Um município com 5 comunas, 13 comunidades católicas visitadas, muita areia, lama, rios e paisagens lindas; troncos e barrancos: tudo junto!

ZENIT: E qual é porcentagem de católicos?

Pe. Luigi: na área rural do Moxico (está na província da Angola onde moro) são 5%. Moxico tem uma extensão de 200.000 km quadrados e uma população estimada em 1 milião de pessoas. Só o município de Kangamaba onde passei o final de ano até a festa de Epifania tem 42.000 km quadrados e uns 20.000 habitantes.

ZENIT: O senhor se encontra na Angola, certo?

Pe. Luigi: Sim. No leste da Angola. Olha, pense que em várias comunidades me pediam sal, têm muitas dificuldades de transporte. São distâncias grandes, poucos meios; é tudo difícil. A maioria do povo vive ainda daquilo que conseguem produzir nas lavras ou caçar no mato; ainda bem que é uma terra abençoada e linda.

ZENIT: Qual é o seu meio de transporte?

Pe. Luigi: Um toyota land cruyser, cabine dupla. Tem só um ano e meio, mas já teve muitos problemas e também nesta viagem. Ainda bem que tinha algumas ferramentas comigo para fazer alguns reparos.

ZENIT: Encontrou-se com quantas pessoas?

Pe. Luigi: Acho que me encontrei com uma média de 100 pessoas em cada comunidade e em algumas mais ainda.

ZENIT: Em quantos dias o senhor percorreu esses 1600 km? Também utiliza cavalo?

Pe. Luigi: Aqui não tem cavalos, pouquíssimos burros e poucas vacas. É um povo que não foi acostumado a criar animais. Percorri tudo isso em 10 dias, mas com uma média de 20 ou 30 km por hora.

ZENIT: E como são as estradas?

Pe. Luigi: São estradas do tempo colonial, mas que desde aquele tempo nunca foram recuperadas. Então a chuva as estraga sempre mais. mas as vezes tem que abrir outros caminhos por causa de árvores caídas, pontes quebradas, lama ou areia.

ZENIT: E tem ladroes, por aÍ, padre?

Pe. Luigi: Não, nunca encontrei problemas deste tipo. O clima da natureza e o clima social é tranquilo.

ZENIT: Quantos anos que o senhor tem?

Pe. Luigi: Completei 60 anos em novembro de 2012. Fui ordenado dia 8 de novembro de 1980.

ZENIT: O povo o acolhe bem?

Pe. Luigi: O povo acolhe muito bem, com calor, cantando, esperando minha chegada, vindo ao encontro. É uma beleza única!

ZENIT: Tem muçulmanos por aí?

Pe. Luigi: Poucos aqui em Angola. Alguns trabalham no comércio.

ZENIT: O senhor é o único sacerdote nessas regioes?

Pe. Luigi: À nossa paróquia salesiana de Luna são confiados 80.000 km quadrados e eu visito sozinho esta região. São mais de 100 comunidades católicas espalhadas nesta grande área, distantes uma da outra. Luena é a cidade onde moro com outros 3 salesianos que cuidam mais da área urbana e das nossas obras (escola, escola profissional, centro juvenil, posto de saúde)

ZENIT: Para os jovens que se preparam para a Jornada Mundial, o senhor diria que vale a pena ser missionario?

Pe. Luigi: Com certeza! Vale a pena começar a pensar nos outros e não somente em si mesmo. Eu comecei assim quando era jovem. Não tinha intenção de ser missionário. Mas ajudava sim e participava de atividades sociais e de solidariedade.

ZENIT: E quando veio essa ideia?

Pe. Luigi: Depois senti este chamado, vendo que não devia ter medo de deixar minha terra, 5 anos depois de me tornar sacerdote.

ZENIT: Em que ano o senhor chegou por aí, padre?

Pe. Luigi: Faz 4 anos que moro aqui em Angola, mas passei mais de 18 anos no nordeste do Brasil. 2 anos em Matriz de Camaragibe (Alagoas), 10 anos e meio em Areia Branca (Rio Grande do Norte) e 5 anos no Recife.

ZENIT: Como os leitores de ZENIT podem ajudar a sua missao padre?

Pe. Luigi: Com orações e sendo solidários. Às vezes renunciando a alguma coisa para partilhar com outros. Boa noite, Thácio, vou dormir porque amanhã devo visitar duas comunidades a 80 km daqui.