Sacerdotes não celebrantes que leem o evangelho na missa

A principal leitura da missa deve ser confiada sempre a um diácono ou sacerdote que faça parte da assembleia litúrgica

Roma, (Zenit.org) Pe. Edward McNamara, L.C. | 1213 visitas

O pe. Edward McNamara, professor de teologia e diretor espiritual, responde nesta semana a uma pergunta de um leitor do Canadá:

“Sei que, na ausência de um diácono, um padre concelebrante pode ler o evangelho na missa. Neste caso, antes de ler o evangelho, ele não precisa pedir a bênção do celebrante principal, a menos que este seja um bispo. A minha pergunta é: um padre pode ler o evangelho, antes de dar a homilia, quando ele não é concelebrante? Pergunto isto porque na minha diocese é muito comum, nas paróquias, que um único sacerdote faça a homilia em todas as missas celebradas num mesmo domingo, incluindo as missas em que ele não é o celebrante principal e nem sequer é concelebrante. Se é permitido a um padre não concelebrante ler o evangelho antes de dar a homilia, ele tem que pedir a bênção do celebrante principal antes da leitura do evangelho?” - K.D., Toronto (Canadá)

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Existem poucas regras que respondem a esta pergunta. Algumas indicações relevantes estão na Instrução Geral do Missal Romano, também chamada de Ordenamento Geral do Missal Romano (OGMR). Em primeiro lugar, a respeito do leitor do evangelho, o n° 59 nos diz:

59. Segundo a tradição, a função de proferir as leituras não é presidencial, mas sim ministerial. Por isso, as leituras são proclamadas por um leitor, mas o evangelho é anunciado pelo diácono ou por outro sacerdote. Se, porém, não estiver presente o diácono nem outro sacerdote, leia o evangelho o próprio sacerdote celebrante; e se também faltar outro leitor idôneo, o sacerdote celebrante proclame igualmente as outras leituras. Depois de cada leitura, aquele que a lê profere a aclamação; ao responder-lhe, o povo reunido presta homenagem à palavra de Deus, recebida com fé e espírito agradecido.

Isto acontece, é claro, na tradição latina. Em algumas Igrejas orientais, a leitura do evangelho é reservada ao celebrante principal, como representante da voz de Cristo.

Já no que diz respeito à homilia, o OGMR diz, no nº 66:

66. Habitualmente, a homilia deve ser feita pelo sacerdote celebrante ou por um sacerdote concelebrante, por ele encarregado, ou, algumas vezes, se for oportuno, também por um diácono, mas nunca por um leigo. Em casos especiais e por justa causa, a homilia também pode ser feita por um bispo ou presbítero que se encontre na celebração, mas sem poder concelebrar (...).

O nº 59 não especifica se o "outro sacerdote" que lê o evangelho é um concelebrante, mas é de se supor que, normalmente, este seja o caso. Ler o evangelho, de fato, é um ministério dentro da celebração, e, logicamente, a pessoa que exerce esse ministério deve ser um membro integrante da assembleia, participante de toda a celebração, devendo também receber a comunhão para realizar plenamente a sua participação.

Um sacerdote que prega em várias missas, como, por exemplo, no caso de uma necessidade missionária, normalmente não tem como celebrar ou concelebrar em todas elas. Não tem sequer como participar plenamente de todas como membro da assembleia, já que as regras que impedem mais de duas comunhões por dia também se aplicam ao sacerdote não celebrante.

Por esta razão, a fim de respeitar a integridade da participação litúrgica, eu sou da opinião de que o pregador não deveria ler o evangelho.

Da mesma forma, quando "em casos particulares e por justa causa" um ministro que não seja o celebrante fizer a homilia em todas as missas, é provável que ele não participe inteiramente de cada celebração. Mais uma vez, não sendo membro pleno daquela particular assembleia, ele não deveria ler o evangelho.

Nos casos referidos acima, o pregador deveria se aproximar do púlpito após a proclamação do evangelho. Normalmente, ele deve vestir a alva e a estola, ou sobrepeliz e estola.

De resto, é de se discutir se esta é uma prática "muito comum". Ela é aceitável em algumas ocasiões, mas fazê-lo regularmente não está de acordo com o espírito da liturgia.

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Os leitores podem enviar perguntas para liturgia.zenit@zenit.org. Pedimos mencionar a palavra "Liturgia" no campo assunto. O texto deve incluir as iniciais do nome, a cidade, o estado e o país de quem envia a pergunta. O pe. McNamara só poderá responder a uma pequena parte das muitas perguntas que recebemos.