Sagrada Família de Gaudí está pronta para receber o Papa

Entrevista com o presidente da Junta Construtora de templo em Barcelona

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Por Patricia Navas

BARCELONA, segunda-feira, 19 de julho de 2010 (ZENIT.org) – A presença do Papa em Barcelona, no dia 7 de novembro, para consagrar a Sagrada Família confirma em todo o mundo a mensagem transcendente do templo de Gaudí: o chamado à fraternidade universal, destaca o presidente da Junta Construtora da Sagrada Família, Joan Rigol.

Nesta entrevista a ZENIT, Rigol explica os detalhes da preparação do grande evento, ao qual já confirmaram presença os reis da Espanha. 

ZENIT: Que significado tem para a Junta Construtora da Sagrada Família que o próprio Papa venha consagrar o templo?

Joan Rigol: Para nós isso significa uma dimensão eclesial vista do ponto máximo de sua representação, que é o Papa, e sobretudo indica a projeção universal da Sagrada Família no âmbito cristão.

A mensagem da Sagrada Família, através da arquitetura e cultura, é uma mensagem transcendente: um chamado à fraternidade universal.

Esta mensagem nuclear no conteúdo cristão, de tratar todas as pessoas como irmãos, deve por sua vez se projetar às pessoas que não têm este sentido de fé, mas também se sentem solidárias na fraternidade universal.

A vinda do Papa confirma esta mensagem em âmbito mundial, desde o ponto de vista cultural, artístico, especialmente este apelo à fraternidade universal.

ZENIT: Como estão os preparativos?

Joan Rigol: Estamos terminando o interior do templo, que segue as pautas e a própria definição de Gaudí, que deixou uma maquete muito precisa de como via este interior. Provavelmente no final de julho estará tudo pronto para esperar a vinda do Papa a 7 de novembro. Isso desde o ponto de vista material.

Além disso, estamos promovendo uma convocatória entre os cristãos para vir receber o Papa. Disso se ocupa especialmente o arcebispo e a comissão responsável. Isso porque a vinda do Papa não está exclusivamente centrada na Sagrada Família. É também um encontro dos cristãos que vivem em Barcelona, na Catalunha e na Espanha. Uma viagem deste tipo tem suas complexidades de organização e nisso estamos trabalhando intensamente todos.

ZENIT: Vocês sabem quais autoridades estarão presentes no ato de consagração do templo?

Joan Rigol: Vão-nos chegando informações sobre isso, mas ainda de modo informal. A informação formal chegará no momento determinado, que será em setembro. Anunciaram já a intenção de estar na Sagrada Família os reis da Espanha. Ao que parece, também o governo da Espanha e as autoridades da Catalunha.

ZENIT: Quantas pessoas se esperam nesse dia na Sagrada Família e suas imediações?

Joan Rigol: Dentro do templo cabem entre 7.500 e 8.500 pessoas, dependendo do grau de segurança que damos às entradas e saídas, que deve ser o máximo. Ao redor do templo haverá um dispositivo para que as pessoas possam acompanhar o ato desde as proximidades. Não sabemos exatamente quantas pessoas podem vir, mas estamos nos preparando para que sejam muitas.

ZENIT: Em que ponto se encontram as obras da Sagrada Família?

Joan Rigol: Há alguns detalhes para limpar do interior, porque as obras geraram pó. Em agosto, colocaremos o órgão, que se deve fazer na ausência de ruído.

Uma vez terminado o interior e o templo esteja aberto para suas funções específicas, continuará a construção da Sagrada Família, segundo o projeto de Gaudí. Isso pode durar mais 15 a 20 anos.

Faltam as torres dos evangelistas, a torre principal, que tem 172 metros de altura, e os quatro edifícios da nave, um a cada lado, onde estarão as sacristias e as capelas do Santíssimo Sacramento. Isso é um projeto para a geração futura.

Entre as torres dos quatro evangelistas e a de Jesus Cristo estará a torre da Virgem, que tem uma altura superior à dos evangelistas e inferior à de Jesus Cristo. As dos evangelistas já começamos a construir.

ZENIT: A construção do túnel para o trem de alta velocidade próximo do templo pode afetá-lo?

Joan Rigol: Temos estudos técnicos de gente muito qualificada que diz que o projeto do trem traz riscos, especialmente no que diz respeito a futuros ajustes no terreno e no âmbito das vibrações.

Ante os riscos desse projeto, temos tentado duas vias: em primeiro lugar, tentar dialogar com a administração, mas não conseguimos que tomem consciência do que nós consideramos um risco. Agora estamos no âmbito da Justiça.